Xi defende mundo multipolar e globalização inclusiva em encontro com Orsi
- 03/02/2026
Durante a reunião, Xi reafirmou que a China "atribui sempre grande importância às relações com a América Latina" e reiterou o apoio de Pequim aos países da região "na defesa dos seus interesses de soberania, segurança e desenvolvimento".
"A China está disposta a trabalhar com o Uruguai e os países latino-americanos para promover de forma profunda e substancial a construção de uma comunidade de futuro partilhado China - América Latina", declarou, segundo a transcrição divulgada pelo Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês.
O líder chinês manifestou ainda o apoio à atuação do Uruguai em fóruns multilaterais, como a presidência rotativa do Grupo dos 77 e China, a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e o Mercosul.
Xi enquadrou estas declarações num cenário internacional de "complexidade e turbulência crescentes", com o aumento de práticas unilaterais e de pressão entre Estados, uma posição recorrente no discurso diplomático chinês.
O líder chinês defendeu o reforço do multilateralismo, do sistema internacional centrado nas Nações Unidas e de uma globalização "inclusiva e benéfica para todos", como princípios que devem nortear a cooperação entre países em desenvolvimento.
No plano bilateral, Xi apelou ao aprofundamento da parceria estratégica integral entre a China e o Uruguai, com reforço do apoio mútuo em assuntos centrais e ampliação da cooperação nas áreas do comércio, agricultura, infraestruturas, finanças e tecnologias de informação.
O líder chinês mencionou ainda oportunidades em setores emergentes como desenvolvimento verde, economia digital, inteligência artificial e energias limpas, além de destacar a importância dos intercâmbios culturais, educativos e entre governos locais.
Orsi elogiou os avanços da China nas últimas décadas e afirmou que a relação bilateral atravessa o seu "melhor momento histórico", sublinhando que o fortalecimento dos laços com Pequim é uma política de Estado, com apoio transversal no Uruguai.
O Presidente uruguaio manifestou vontade de aprofundar a cooperação com o país asiático em áreas económicas, científicas e tecnológicas e reiterou o apoio ao princípio de 'Uma Só China'.
Este princípio, alcançado em 1992, declara que existe apenas uma China e que Taiwan faz parte da China, mas com Pequim e Taipé a manterem interpretações diferentes.
Após o encontro, os dois chefes de Estado assistiram à assinatura de mais de uma dezena de acordos e emitiram uma declaração conjunta para aprofundar a parceria estratégica integral, quando se assinala o 38.º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países.
A China é, há mais de uma década, o principal parceiro comercial do Uruguai, representando cerca de 26% das exportações do país, sobretudo de produtos agroindustriais.
A agenda de Orsi em Pequim inclui ainda encontros com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente da Assembleia Nacional Popular (órgão máximo legislativo), Zhao Leji, antes de seguir viagem para Xangai, onde terá compromissos de caráter económico e comercial.
Leia Também: Relator europeu pede diálogo e Europa unida perante incerteza das relações com EUA













