Washington é parceiro energético "pouco fiável" para Alemanha
- 14/02/2026
"Washington sob Trump agirá de forma unilateral para assegurar e alavancar recursos energéticos, recorrendo à força se necessário, de modo a reforçar a primazia americana, mesmo à custa dos aliados", sublinhou em declarações à agência Lusa.
Para o investigador associado no Centro de Clima e Política Externa do Conselho Alemão de Relações Internacionais (DGAP), até muito recentemente Berlim partia do princípio de que a primazia americana era prosseguida de uma forma que beneficiava os aliados, e não de uma forma que pudesse prejudicá-los.
No estudo "Venezuela, Petróleo e o domínio energético dos Estados Unidos da América: Implicações para a Política Alemã", em que Campbell é um dos coautores, sustenta que a intervenção de Trump na Venezuela foi assumidamente motivada pelo petróleo obrigando a Alemanha a reequacionar a sua estratégia.
"A Alemanha precisa de começar a considerar a predominância energética dos EUA, a par da instrumentalização russa dos combustíveis fosseis e da consolidação tecnológica chinesa, como um potencial risco sistémico para a segurança europeia", sustentou.
Para Loyle Campbell, a resposta não é simplesmente "mais renováveis".
"No passado fizemos isso, o que beneficiou fortemente as exportações chinesas subsidiadas. Partes da indústria alemã foram fragilizadas nesse processo. Desta vez, precisamos de ser estratégicos, concentrando-nos em tecnologias onde as nossas empresas ainda têm um modelo de negócio sólido", apontou.
A energia eólica offshore é um exemplo "notável", acrescentou.
Outro dos focos da Alemanha deverá ser, defende o analista do DGAP, a eficiência energética já que "não precisa de importar energia que não utiliza" e a diversificação das parcerias energéticas.
"No entanto, um elemento fundamental é que não existe uma resposta eficaz se a Alemanha agir sozinha. Isso ficou claro no caso da coerção económica de Trump em relação à Groenlândia. Quando a Alemanha responde à coerção e ao poder geopolítico em conjunto com outros, através de Bruxelas, os resultados são muito mais impactantes", realçou.
De acordo com o estudo "Venezuela, Petróleo e o domínio energético dos Estados Unidos da América: Implicações para a Política Alemã" publicado pelo DGAP, embora a intervenção dos EUA na Venezuela possa parecer uma vitória estratégica de curto prazo, o petróleo venezuelano é economicamente arriscado, climaticamente insustentável e potencialmente um erro num mundo em transição energética.
Leia Também: Cidadã estrangeira detida por tráfico de droga extraditada para Alemanha













