Violência do ICE nos Estados Unidos satirizada em capa do Charlie Hebdo
- 27/01/2026
Os serviços de imigração dos Estados Unidos (ICE, sigla em inglês) têm sido tema um pouco por todo o mundo. A capa desta semana da revista satírica Charlie Hebdo é uma crítica à violência que se tem vivido nos EUA, em particular no estado de Minnesota.
Na imagem, pode ver um homem com um colete a dizer "Police ICE" e a segurar uma arma enquanto arrasta um homem morto após ter sido alvejado várias vezes. Há ainda vários corpos amontoados, todos vestidos de azul, e diversas linhas de um rasto de sangue, que é uma alusão à bandeira norte-americana.
O agente retratado no desenho poderá ser Gregory Bovino que, na segunda-feira, foi destituído do seu cargo de comandante. Note-se que Bovino era o rosto da política anti-imigração de Donald Trump na cidade de Minneapolis e, nos últimos dias, foi notícia na imprensa estrangeira devido à sua roupa que foi comparada à de um oficial nazi.
ICE pic.twitter.com/xcpQXmhUBy
— Charlie Hebdo (@Charlie_Hebdo_) January 27, 2026
O que está a acontecer em Minneapolis?
Pouco mais de duas semanas depois da morte de Renee Good - uma norte-americana de 37 anos que, a 7 de janeiro, foi baleada, pelo menos, quatro vezes por agentes do ICE [Serviço de Imigração e Alfândega] enquanto se ia embora do local onde estavam - mais uma pessoa morreu em Minneapolis. Desta vez, a vítima é um homem, que será a segunda pessoa a morrer às mãos destes agentes nesta cidade do estado do Minnesota, pelo menos desde o início do ano.
Tudo aconteceu durante a manhã (tarde em Portugal), quando agentes do ICE dispararam contra Alex Jeffrey Pretti múltiplas vezes. Imagens partilhadas nas redes sociais mostram que o homem, de 37 anos, foi cercado por várias pessoas. O grupo agrediu-o e ouvem-se, depois, os tiros.
Momentos antes de ser conhecida esta morte, o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, tinha denunciado "mais um tiroteio horrível por agentes federais", pedindo ao presidente dos Estados Unidos, o conservador Donald Trump, para acabar com a operação anti-imigração e retirar "milhares de agentes violentos" daquele estado norte-americano.
Imagens contrariam teoria do governo dos EUA
A porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, disse à Associated Press (AP), através de mensagens de texto, que a pessoa tinha uma arma de fogo com dois carregadores, alegando que os agentes teriam agido em legítima defesa.
Há, no entanto, testemunhas oculares, família e autoridades que dizem que Alex Pretti não estava armado, contrariando assim a versão da administração de Trump.
Entretanto na segunda-feira, dia 26 de janeiro, o presidente norte-americano afirmou que está a ser investigada a morte de Alex Pretti e demonstrou disponibilidade para retirar os agentes da cidade, informou hoje o Wall Street Journal (WSJ).














