Vídeo de Leitão Amaro: "Indecência" ou "má interpretação"? A polémica
- 31/01/2026
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, partilhou, na quinta-feira à noite, um vídeo nas redes sociais onde se mostrava a acompanhar as operações de socorro e assistência nas regiões afetadas pela depressão Kristin. Depois de várias críticas, o vídeo acabou por ser apagado, com o governante a afirmar que a publicação "foi entendida de uma forma que não era pretendida". Afinal, o que aconteceu?
As imagens, capturadas com recursos do Governo e partilhadas enquanto o país está ainda em estado de calamidade, tinham inclusive uma marca de água profissional com o nome de António Leitão Amaro.
Nelas, via-se o governante em vários ângulos e situações, aparentemente a gerir os efeitos devastadores do mau tempo que atingiu Portugal e que já ceifou, pelo menos, quatro vidas.
"Em situações de emergência, cada decisão conta — e o planeamento faz a diferença. Ontem e hoje, o Governo usa o manual CORGOV, aprovado após o apagão. Coordenação, comunicação e trabalho de equipa para apoiar quem está no terreno e proteger os portugueses", lia-se na legenda do vídeo, entretanto apagado.
Rodeado de assessores, de mangas arregaçadas e até a roer as unhas com ar preocupado, Leitão Amaro aparecia rodeado de papéis, a ter reuniões.
Rapidamente, o vídeo tornou-se viral e foi alvo de muitas críticas.
Vivêssemos em tempos de gente com o mínimo sentido de Estado ou que a ainda restasse alguma decência e o Leitão Amaro não passava nem mais um dia como ministro.
— Pedro Marques Lopes (@pedroml) January 30, 2026
Um indivíduo que aproveita uma catástrofe onde tanta gente está a sofrer para fazer um vídeo promocional da sua pessoa… pic.twitter.com/gT0O0d8IT2
Sabe-se ainda, segundo o Observador, que o vídeo foi "editado e publicado sem o ministro da Presidência ver o resultado final".
O vídeo já foi retirado das redes sociais de Leitão Amaro. No entanto, as imagens continuam a ser replicadas na internet.
As críticas
Uma das vozes críticas foi Pedro Marques Lopes. Para o jurista, que faz parte do programa Eixo do Mal, da SIC Notícias, se "vivêssemos em tempos de gente com o mínimo sentido de Estado ou que a ainda restasse alguma decência e o Leitão Amaro não passava nem mais um dia como ministro".
"Um indivíduo que aproveita uma catástrofe onde tanta gente está a sofrer para fazer um vídeo promocional da sua pessoa não merece consideração. Toda uma encenação com telefones, intercomunicadores. roer de unhas realizada por uma equipa profissional deve ter ficado cara. Quem pagou este espetáculo de autopromoção? Aposto que fomos todos, incluindo os que estão agora sem casa, emprego , bens, sem luz e eletricidade. Isto é pura indecência. Mas, claro, vai passar impune", escreveu o comentador, acrescentando que "a marca de água parece mesmo a gozar".
E o que disse o ministro?
Na sexta-feira, António Leitão Amaro defendeu que a publicação "foi entendida de uma forma que não era pretendida" e, por isso, pediu para ser eliminada.
"Tinha como objetivo clarificar e responder a uma pergunta que tinha sido colocada várias vezes pelos jornalistas. Dada a interpretação gerada, foi retirada porque a última coisa que é preciso fazer é criar ruído e más interpretações, sentimentos de incompreensão…", explicou.
Recorde-se que a passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
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