Ventura? "Um risco para a democracia", que usa "métodos antidemocráticos"
- 01/02/2026
O candidato à Presidência da República António José Seguro afirmou, este domingo, que o seu adversário na segunda volta das eleições, André Ventura, é "um risco para a democracia", e considerou que os seus "métodos", nomeadamente a "desinformação", "não são democráticos".
"As redes sociais estão cheias de mentiras, de falsidades, contra mim. Isto é inaceitável numa democracia", disse, em entrevista ao Jornal da Noite da SIC.
"A desinformação não ajuda a democracia, pelo contrário. E houve um estudo recente que mostrou que 85% da desinformação e da falsidade que existem na internet se devem, precisamente, a André Ventura. O país tem de ser claro no dia 8 [de fevereiro], tem de repudiar esta situação", acrescentou.
Seguro referia-se a um estudo do LabCom - Laboratório de Comunicação da Universidade de Coimbra (UBI), que indicou que a desinformação associada às presidenciais soma, desde novembro de 2025, mais de 7,7 milhões visualizações nas redes sociais, e que André Ventura concentra 85,7% dos casos.
Em quatro semanas de pré-campanha e na campanha eleitoral, os investigadores identificaram 14 casos de desinformação e André Ventura, candidato apoiado pelo Chega, é responsável por 85,7% dos casos identificados, enquanto os restantes são de pré-candidatos que não foram aceites para a primeira volta das eleições pelo Tribunal Constitucional (TC), como Joana Amaral Dias.
Para Seguro, "é por isso que tanta gente" apoia a sua candidatura, por querer "defender um chão comum, que é um chão de decência e consideração".
"Nós podemos ter opiniões diferentes, mas consideramo-nos. Não precisamos de andar a lançar mentiras, falsidades, nas redes sociais. Isso é inaceitável na nossa democracia", frisou.
Questionado sobre se André Ventura seria um "risco para a democracia", António José Seguro foi taxativo: "Claro. Uma pessoa que recorre a métodos dessa natureza, à desinformação, claro que é um risco para a democracia."
O candidato, apoiado pelo Partido Socialista (PS), disse, ainda, que os métodos utilizados pelo seu adversário "não são métodos democráticos" e "não têm a ver com a maneira de ser dos portugueses".
"Nós somos um povo pacífico. Um povo que diverge, concorda, mas se considera. Aliás, o primeiro dever de um democrata é considerar o adversário, debater ideias e propostas. Não é o insulto, o ruído e a divisão, o semear o ódio e colocar portugueses contra portugueses", sublinhou, considerando que tal prática é "inaceitável".
Ainda assim, Seguro disse ser "fiel" aos seus princípios e garantiu que tem "tentado fazer as condições mínimas para que haja um relacionamento institucional" com André Ventura, não se esquecendo que o seu adversário é "presidente de um partido em Portugal que tem uma representação parlamentar importante".
"Como Presidente da República, se merecer a confiança dos portugueses, naturalmente que terei de reunir e trabalhar com ele. E eu quero preservar esse mínimo, mas há uma coisa que não é aceitável: a falsidade e o recurso à desinformação porque isso é não respeitar os eleitores", reiterou.
"A minha primeira lealdade é à Constituição da República Portuguesa"
Colocada a hipótese de André Ventura vir a ser eleito primeiro-ministro durante um eventual mandato de António José Seguro, o candidato afirmou ser "muito claro" que não dará "posse a governos que são contra a Constituição".
"A Constituição é a nossa lei fundamental", sublinhou. "O Presidente tem de assegurar que qualquer governo deve dar garantias de respeitar a nossa Constituição. A minha primeira lealdade é à Constituição da República Portuguesa."
Sobre o seu posicionamento quanto ao eventual afastamento de ministros de um Governo, Seguro recordou que "o país já teve demasiadas situações que geraram desconfiança dos portugueses em relação às instituições e às pessoas que as representavam", garantindo que será "o primeiro a ser exigente, a começar logo na formação dos governos".
"Eu quero a garantia - que o primeiro-ministro me dê - de que todos os ministros passaram o crivo e que não vão ter problemas quer do ponto de vista ético, quer doutros, no exercício das suas funções", assinalou.
Rejeitando o conceito de exercer "pressão" nos bastidores e também "vir para a praça pública" em face de um "dever de lealdade" para com o primeiro-ministro, António José Seguro vincou que a conduta dos ministros "é uma exigência ética".
"O país tem de ter uma dimensão ética e os portugueses têm de confiar nas suas instituições. Há muita gente desiludida, muita gente desagradada com muitas atuações de políticos a vários níveis", disse, considerando que o Presidente da República tem o dever "de reconciliar os portugueses com as instituições e de reforçar essa relação de confiança".
António José Seguro e André Ventura vão disputar a segunda volta das eleições presidenciais, em 8 de fevereiro, depois de, em 18 de janeiro, o candidato apoiado pelo PS ter conquistado 31% dos votos e Ventura, líder do Chega, ter obtido 23%.
Em terceiro lugar ficou Cotrim Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, com 16,%, à frente de Gouveia e Melo, com 12%, e de Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, com 11%.
À Esquerda, Catarina Martins (BE) teve 2%, António Filipe (PCP) 1,6% e Jorge Pinto (Livre) 0,6%, ficando abaixo do cantor Manuel João Vieira, que conseguiu 1%. O sindicalista André Pestana recolheu 0,2% e Humberto Correia 0,08%.
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