"Ventura odeia Portugal" e Catarina, "não se ria". O debate
- 28/11/2025
No debate televisivo na TVI, André Ventura começou por criticar o balanço governativo dos governos da Geringonça na imigração, acusando o BE, liderado por Catarina Martins na altura, de ser corresponsável por leis que levaram ao aumento do tráfico de seres humanos ou de situações de escravatura.
Catarina Martins contrapôs que, se se trata de situações ilegais, não podem ter sido criadas por leis, antes de se manifestar "chocada com a forma como o doutor Ventura diz imigrantes ilegais quando tem dois deputados na sua bancada que foram imigrantes".
De seguida, a candidata presidencial acusou o líder do Chega de, ao aprovar com o PSD e CDS as leis de estrangeiros e da nacionalidade, retirar direitos a pessoas que trabalham e pagam impostos em Portugal, enquanto dá benefícios fiscais a milionários e beneficiários de vistos 'gold', antes de introduzir um tema que manteria ao longo de todo o debate: o amor a Portugal.
"Ontem [quinta-feira] celebrámos todos a grande vitória dos sub-17 [no mundial de futebol]. E aquele golo que nos deu a vitória foi de Dionísio Cabral, filho de guineenses que nasceu em Portugal. Pela lei do doutor Ventura, ele nunca poderia ser português. O doutor Ventura odeia Portugal. Eu gosto de Portugal", afirmou.
Após ter ouvido as críticas sobre os seus deputados, Ventura respondeu na mesma moeda, aludindo ao caso de despedimento, no BE, de mulheres que tinham sido recentemente mães.
"Se há alguém que tem experiência em explorar grávidas, em despedir pessoas pelo telefone, é o BE", afirmou, antes de abordar o amor a Portugal invocado por Catarina Martins.
"Os senhores traíram Portugal porque, ao quererem que entrasse toda a gente sem qualquer controlo, permitiram que a bandidagem entrasse toda neste país. (...) Entre nós, quem ama Portugal sou eu", defendeu, perante uma Catarina Martins que ia esboçando sorrisos, o que levou Ventura a irritar-se.
"Não se ria", disse, sugerindo que o aumento da imigração levou ao aumento da insegurança ou de crimes sexuais e atribuindo essa responsabilidade a Catarina Martins e aos partidos de esquerda, o que a candidata presidencial refutou imediatamente, salientando que "a criminalidade associada à imigração, segundo números da PJ, é 1%".
Quem diz... é que é? "Tonta é você"
"O doutor Ventura tem na sua bancada parlamentar 40% deputados que estão a braços com a Justiça ou que já estiveram a braços com a Justiça. Portanto, eu teria mais calma quando falo das outras pessoas", disse, com Ventura a afirmar que o BE só tem uma única deputada, Mariana Mortágua, que também já teve envolvida em processos, com Catarina Martins a pedir-lhe que "não seja tonto".
"Tonto não me chama, porque se há alguém aqui que é tonta é você, porque não percebe que os portugueses querem uma coisa diferente e não essas palhaçadas que vocês fazem", contrapôs Ventura.
Os dois candidatos abordaram depois a temática do discurso de ódio, com Catarina Martins a associá-lo à extrema-direita e a pedir que haja uma reflexão sobre como é que a democracia se deve defender perante quem a ataca, com André Ventura a pedir à candidata para não ser "atriz", um dos apartes que foi repetindo ao longo do debate, numa alusão à profissão de Catarina Martins, que se insurgiu.
"Ninguém me menoriza por eu trabalhar com cultura ou arte antes de ser eleita. Quem ama Portugal, tem de amar a cultura e a arte", disse, com Ventura a responder que não recebe lições de patriotismo.
No final do debate, Ventura acusou Catarina Martins de ser amiga da Rússia, da Venezuela, do Irão e de querer sair da NATO, enquanto a candidata optou por fechar o debate pedindo aos cidadãos que não deixem que a democracia seja "contaminada por notícias falsas", mesmo caso votem no Chega.
"Mesmo que queiram que André Ventura seja primeiro-ministro, que é o que quer e nunca vai ser", provocou, com o candidato a acusá-la de arrogância.
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