Ventura nega "presidentes de preferência". "Voltaria a criticar Trump"
- 11/01/2026
"Já critiquei [Donald Trump] várias vezes, voltaria a criticar. Eu, ao contrário da esquerda, não tenho ditadores, nem tenho presidentes de preferência", defendeu o também presidente do Chega, antes de uma ação de campanha no centro da cidade de Aveiro.
Interrogado sobre se está desiludido com Donald Trump - figura política que Ventura já elogiou várias vezes - o candidato respondeu que "a política não permite desilusões".
"Eu fico desiludido é quando o país não tem saúde para dar às pessoas. É isso que me desilude. De resto, acho que seja Donald Trump, seja o presidente da China, seja o presidente da Venezuela, seja o presidente da Coreia do Norte, do Sul, eu não quero mais ditaduras no mundo. Quero liberdade", respondeu.
Depois de o candidato presidencial João Cotrim Figueiredo ter alertado hoje que as ameaças dos EUA à Gronelândia (território autónomo da Dinamarca, membro da NATO) podem ser a "sentença de morte" da Aliança Atlântica, Ventura respondeu que o desinvestimento da União Europeia em Defesa também foi "uma sentença de morte".
O candidato a Belém considerou que a União Europeia teve as prioridades invertidas e que isso foi feito entre "liberais, sociais-democratas e socialistas", rejeitando "lições de moral".
"Votaram juntos, permanentemente, contra aquilo que os patriotas queriam, que era uma Europa mais forte, nações mais fortes, capazes de lutar não só contra a imigração ilegal, mas também com ameaças de defesa externa", criticou, numa referência aos "Patriotas pela Europa", família política europeia de extrema-direita na qual o Chega se insere.
Depois de durante a manhã, em Viseu, ter alegado que o Hospital de Santo António, no Porto, recorria a espreguiçadeiras por falta de macas, e ter sido contrariado pela unidade, que disse que aquelas estruturas fazem parte de um plano de catástrofe e, em 15 anos, nunca foram usadas, Ventura voltou ao tema.
O candidato considerou que a justificação "é incompreensível" e, confrontado com o facto de estar em causa uma eventual situação de catástrofe, na qual os recursos seriam limitados, Ventura defendeu que nesse caso deveria haver "mais macas e não espreguiçadeiras".
Já sobre o caso de uma mulher estendida no chão, alegadamente por falta de maca, nos Hospitais da Universidade de Coimbra -- caso desmentido pela Unidade Local de Saúde (ULS) -- Ventura voltou a afirmar que não acredita na versão daquela unidade de saúde.
Depois das declarações aos jornalistas, André Ventura seguiu em direção à capela de São Gonçalinho, de onde são atiradas as cavacas por esta altura de janeiro, numa das arruadas com mais gente na rua e mais caótica que o habitual.
Chegado ao largo, ouviram-se alguns apupos a Ventura, que olhava com atenção para o alto da capela de onde iam sendo lançadas as cavacas secas e duras para aqueles que se aventuravam a apanhá-las.
Protegido por um guarda-chuva ao contrário, André Ventura disse que estava ali para reviver "a identidade portuguesa" e agradecer "pela vida e pela saúde".
Enquanto se ouviam os sinos e as cavacas voavam da capela, entre a comitiva ouviam-se alguns "Ai!" e "Cuidado!" e apelos a que todos abrissem os chapéus.
A presença no largo durou pouco mais de cinco minutos, com alguns membros da comitiva a indicar a Ventura para sair do espaço.
Sobre se teve medo de levar com alguma cavaca na cabeça, o também presidente do Chega disse que não e mostrou três cavacas que tinha na mão: "Até dei um guarda-chuva a outro".
"É sinal de muita confiança. Tenho muita confiança que vamos vencer", vincou, quando já abandonava a arruada relativamente curta, mas intensa.
[Notícia atualizada às 19h40]
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