Ventura afasta dissolução do Parlamento para "encontro de maiorias"
- 28/01/2026
"Se vencer as eleições presenciais, não está no meu horizonte dissolver o parlamento, nem dissolver a Assembleia da República, para que haja um equilíbrio de forças, uma aproximação de forças entre a maioria presidencial e a maioria parlamentar", afirmou.
Num encontro com estudantes na Universidade Lusíada, em Lisboa, o também líder do Chega assinalou que "os portugueses votam de maneira diferente nas eleições", e escolheram um Governo com o qual o próximo Presidente da República "tem que saber coabitar" porque "tem um papel de estabilidade".
André Ventura considerou que não é "função do Presidente da República dissolver o parlamento para provocar que o parlamento seja uma extensão da maioria que o levou à Presidência da República" e defendeu que se deve evitar a convocação de eleições antecipadas de poucos em poucos meses "por causa da estabilidade política, mas também por causa da estabilidade económica".
"Eu conseguirei conviver com os vários governos, mesmo que haja governos que eu gostaria menos para Portugal do que outros. Se durante o meu mandato como Presidente da República o PS vencer as eleições, eu não aprecio isso, mas não é por isso que bloquearei o governo do PS. Serei exigente com todos, seja do Partido Socialista, seja do Chega, seja do PSD, não acho que a dissolução seja positiva só para um encontro de maiorias, acho que a dissolução tem que ser uma situação de último caso para o Presidente da República", defendeu.
Antes, o candidato presidencial tinha aproveitado para criticar o adversário na segunda volta da corrida a Belém, marcada para 08 de fevereiro.
"Também há quem diga que o António José Seguro não é bem socialista, é uma coisa assim híbrida. Mas os piores socialistas são estes, porque são precisamente aquela coisa morna que ninguém sabe o que é que defende, mas depois vão fazer tudo aquilo que o livro de instruções manda. António José Seguro não vai descansar enquanto o Partido Socialista não estiver de volta ao governo de Portugal", acusou.
André Ventura pediu aos eleitores de "centro-direita e direita" que percebam isso, defendendo que "esta não é uma luta só circunstancial, é uma luta dos próximos anos do regime português".
Na sua intervenção inicial, o candidato a Presidente da República disse que Seguro "acha que já ganhou" e, por isso, "acha que pode espezinhar, humilhar, ser indiferente aos desafios, ao debate, às ideias, ao repto, às instituições, e pode fazer o caminho até à Presidência da República dizendo as mais absolutas generalidades".
Ventura fez também referência ao debate da noite anterior e acusou o candidato apoiado pelo PS de impreparação.
"Como dizem os ingleses, 'what the fuck'? A pessoa pensa, que diabos, o que é que eu estou aqui a fazer, meu? Foi mesmo o que eu pensei", disse.
O candidato insistiu que algumas pessoas não vão votar por Seguro, mas sim contra si e repetiu uma frase que usou várias vezes na campanha das últimas eleições legislativas, pedindo aos eleitores "uma oportunidade de fazer a mudança".
E alegou que, se o antigo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro fosse vivo, iria apoiá-lo.
"Entre um candidato que quer deixar tudo igual, entre um candidato que diz absoluta generalidade e um candidato que quer romper a tempo, saber avançar, saber dar um salto em frente para o país, ele escolheria este candidato", sustentou.
André Ventura defendeu ainda que querer mudar a Constituição "tem que deixar de ser um tabu" e afirmou que para os socialistas "tudo o que seja mexer na Constituição toca naquilo que é a vaca sagrada do regime".
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