Venezuela dividida entre "incerteza" e "expectativa", diz associação
- 30/11/2025
"Todos têm um pouco de incerteza e dúvidas sobre o que irá a acontecer de facto", disse a lusodescendente a residir na Madeira à agência Lusa.
Ana Cristina Monteiro referiu que, nas conversas que tem mantido, algumas pessoas lhe transmitem estar "tranquilas e na expectativa do que pode acontecer, e outras que entendem que o alerta dos Estados Unidos, que deu origem a tudo isto, é uma medida de segurança para os próprios venezuelanos e, obviamente, para os madeirenses" dentro da Venezuela.
Há muitos que aguardam com a expectativa de que possa ser "pelo bem da Venezuela, para conseguir alcançar a liberdade", acrescentou.
Complementou que há outros que "estão com receio" e ainda alguns que "estão um bocadinho cansados e querem uma solução definitiva".
Encerramento do espaço aéreo "afeta portugueses"
Ana Cristina Monteiro realçou que o encerramento total do espaço aéreo e o fato da TAP estar impedida de voar para e da Venezuela está a afetar "diretamente os portugueses e os lusodescendentes", sobretudo nesta altura da quadra de Natal em que muitas famílias viajam para se reencontrar.
"Embora os noticiários digam que o aeroporto de Maquieta, na Venezuela, está a funcionar parcialmente, obviamente que toda esta situação afeta os reencontros e as famílias", reforçou.
O país conta com uma significativa comunidade de portugueses e de lusodescendentes, sendo um dos principais destinos da emigração madeirense. Em 2019, as estimativas apontavam para cerca de 300.000 pessoas
Sob o pretexto de combater o narcotráfico, Washington mantém desde setembro um destacamento naval e aéreo em águas das Caraíbas próximas da Venezuela, tendo mesmo mobilizado o maior porta-aviões do mundo para a região.
Em 21 de novembro, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) recomendou "extrema cautela" ao sobrevoar a Venezuela e o sul das Caraíbas devido ao que considera "uma situação potencialmente perigosa" na região.
Várias companhias aéreas, incluindo a TAP, suspenderam então os seus voos para aquele país.
O governo venezuelano decidiu revogar posteriormente as licenças de operação da TAP, Iberia, Avianca, Latam Colombia, Turkish Airlines e Gol, acusando-as de se "unirem aos atos de terrorismo" promovidos pelos Estados Unidos.
Estas decisões surgem num contexto de tensão crescente entre a Venezuela e os Estados Unidos.
Na quinta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, chegou a admitir ataques terrestres no território venezuelano na luta contra os cartéis de droga.
No sábado, Trump avisou que o espaço aéreo da Venezuela deve ser considerado "totalmente fechado", declaração que Caracas condenou e classificou como uma "ameaça colonialista".
Os consulados-gerais de Portugal nas cidades venezuelanas de Caracas e Valência disponibilizaram canais telefónicos de emergência para os portugueses radicados na Venezuela, com o propósito de garantir proteção e assistência aos compatriotas.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou, no sábado, que está a acompanhar em permanência a situação na Venezuela, reafirmando preocupação com o momento complicado que vive a comunidade portuguesa.
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