"Vejo muitos incentivos à desmobilização eleitoral. Eu faço o contrário"
- 05/02/2026
O candidato presidencial António José Seguro apontou, esta quinta-feira, considerar "essencial" que as eleições que ditarão o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa "se realizem e que os portugueses possam ter a possibilidade de votar", pelo que não vê "nenhum problema que, além dos votos a realizarem-se este domingo, também possa haver, nos concelhos em que os presidentes de câmara entendam que não há condições agora, eleições no domingo a seguir".
"Aquilo que considero essencial é que as eleições se realizem e que os portugueses possam ter a possibilidade de votar. [...] Não vejo nenhum problema que, além dos votos a realizarem-se este domingo, também possa haver, nos concelhos em que os presidentes de câmara entendam que não há condições agora, eleições no domingo a seguir", disse, em declarações à imprensa.
O socialista complementou que "estamos a falar de uma coisa muito séria" e remeteu, por isso, mais esclarecimentos para as entidades competentes, mostrando-se "disponível para que se encontrem soluções que favoreçam os portugueses dentro do quadro legal e constitucional do nosso país".
"Nenhum português que queira votar pode ser impedido de votar, ou agora, ou noutro dia. [...] Vejo muitos incentivos à desmobilização eleitoral dos portugueses. Eu faço o contrário. Eu quero que os portugueses vão votar e que vão votar em maior número, porque não podem deixar para outros a sua decisão. O pior que podia acontecer é o país querer um Presidente e, no domingo à noite, ter um pesadelo, uma surpresa, e ter outro Presidente que não quer", alertou, escusando-se a tecer mais comentários.
Questionado quanto a uma eventual chamada telefónica por parte de André Ventura, Seguro atirou: "Não tenho o número dele, presumo que também não tenha o meu número."
É que, recorde-se, o candidato apoiado pelo Chega apelou a que a segunda volta das eleições presidenciais seja adiada por uma semana, face ao mau tempo que assola Portugal há vários dias.
O presidente daquele partido considerou que não há "condições de ter eleições marcadas e disputadas neste contexto".
"Metade do país a votar e outra metade a não votar? Isto faz algum sentido?", questionou.
Já na quarta-feira, Ventura defendeu que, como candidato, não devia pronunciar-se, "para não criar instabilidade sobre o próprio ato eleitoral". Disse, aliás, esperar que o processo eleitoral decorresse "com normalidade" e apelou à participação dos eleitores das zonas afetadas pelo mau tempo, ainda que tenha ressalvado que essa não era uma preocupação naquele momento.
Sublinhe-se que de acordo a legislação, a organização do ato eleitoral compete à Secretaria-geral do Ministério da Administração Interna, tendo a Comissão Nacional de Eleições (CNE) o papel de fiscalizar e garantir a isenção e igualdade de tratamento das candidaturas.
A Lei Eleitoral do Presidente da República prevê a não realização da votação em determinadas assembleias de voto, e não no país em geral, no caso de "alguma calamidade no dia marcado para as eleições ou nos três dias anteriores". Nessas circunstâncias, "o reconhecimento da impossibilidade de a eleição se efetuar e o seu adiamento competem ao presidente da Câmara Municipal ou, nas regiões autónomas, ao representante da República".
A presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, decidiu, esta quinta-feira, adiar as eleições presidenciais naquele concelho para o próximo dia 15 de fevereiro, tendo em conta a situação de calamidade.
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