Vaticano junta cardeais católicos, à espera das diretivas de Leão XIV
- 07/01/2026
O sínodo convocado ainda pelo Papa Francisco visou discutir internamente, auscultando as bases da Igreja, os caminhos de mudança da Igreja, incluindo questões polémicas e causadoras de divisão como o papel da mulher ou o celibato dos sacerdotes, entre outras matérias.
"Nós tivemos muitos assuntos, muitas áreas de reflexão, muitas comissões paralelas que o Papa Francisco foi criando, mas agora, como o Papa Francisco nos ensinou e também o Papa Leão XIV também já o disse, o processo Sinodal também tem a decisão", explicou à Lusa o Américo Aguiar, o único cardeal português titular de uma diocese (Setúbal).
"Partilho com os ouvintes e com os leitores alguma curiosidade" sobre o encontro que decorre quarta e quinta-feira, porque "é a primeira vez que vou participar num consistório neste contexto e, portanto, também estou de coração aberto e transparente para aquilo que sejam as questões e as partilhas que o nosso querido Papa Leão XIV vai colocar e aquilo que será o seu desejo vontade de nos ouvir", explicou o cardeal, de 52 anos, um dos mais jovens do encontro.
Dos quase 250 cardeais existentes pouco mais de 100 têm direito de voto, entre eles quatro portugueses, Tolentino de Mendonça (prefeito do Dicastério da Cultura e Educação), Américo Aguiar (bispo de Setúbal), António Marto (emérito de Leiria-Fátima) e Manuel Clemente (emérito de Lisboa).
Agora, será a "sinodalidade em direto e a cores com o sucessor de Pedro" e, depois das discussões internas, é a vez da decisão.
"Ouvimos, escutamos, falamos, rezamos, meditamos e decidimos", resumiu o cardeal, salientando que depois serão definidas diretrizes das várias matérias.
"Do processo sinodal também faz parte a decisão" e essa "decisão já não é minha, nem é tua, nem é dos de A, nem é dos de B, mas é de todos, porque resultou do processo", acrescentou o cardeal português.
Segundo o comunicado da Santa Sé, o consistório terá a duração de dois dias e será marcado por "momentos de comunhão e fraternidade, bem como momentos dedicados à reflexão, partilha e oração".
Estes momentos, prossegue o comunicado, "terão como objetivo fomentar o discernimento comum e oferecer apoio e aconselhamento" a Leão XIV no exercício da sua responsabilidade à frente da Igreja Católica.
"O consistório situa-se no contexto da vida e da missão da Igreja e visa fortalecer a comunhão entre o bispo de Roma e os cardeais, que são chamados a colaborar na preocupação com o bem da Igreja universal", refere ainda.
Este evento extraordinário será o primeiro realizado pelo Vaticano desde a última convocação pelo Papa Francisco em agosto de 2022 para discutir a Cúria Romana e criar novos cardeais.
O pontífice norte-americano, eleito em maio do ano passado, realizou o seu primeiro consistório ordinário no dia 13 de junho para tratar de algumas causas de canonização.
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