Vance diz que Teerão não aceita algumas "linhas vermelhas" sobre nuclear
- 17/02/2026
"De certa forma, as negociações correram bem e eles concordaram reunir-se novamente, mas, noutros aspetos, ficou muito claro que o Presidente (Donald Trump) estabeleceu algumas linhas vermelhas que os iranianos ainda não estão dispostos a reconhecer e a negociar", declarou em entrevista à Fox News.
A propósito, reiterou que o "principal interesse" dos Estados Unidos é impedir o Irão de desenvolver armas nucleares.
"Não queremos a proliferação nuclear. Se o Irão adquirir uma arma nuclear, há muitos outros regimes, alguns amigos e outros nem tanto, que também desejarão adquirir armas nucleares a seguir", explicou.
O Irão e os Estados Unidos concluíram hoje, em Genebra, na Suíça, a segunda sessão de negociações retomadas pela primeira vez desde os bombardeamentos norte-americanos a instalações nucleares iranianas durante a guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelita contra o Irão.
Vance disse que Washington continuará a trabalhar com Teerão a nível diplomático, mas salientou que o Presidente Trump se "reserva o direito" de tomar outras medidas se acreditar que a diplomacia não resulta.
"Esperamos não chegar a esse ponto, mas, se chegarmos, será uma decisão do Presidente", disse, acrescentando que Trump tem "muitas opções" em cima da mesa e que os Estados Unidos têm um "forte exército", numa referência a um eventual ataque contra o Irão.
Poucas horas após o fim das discussões na Suíça, o Presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, disse que o país está pronto a deixar verificar que não procura dotar-se de armas nucleares
"Nós não procuramos, absolutamente, obter uma arma nuclear. Se alguém quiser verificá-lo, nós estamos abertos a tal verificação", disse numa entrevista publicada hoje no 'site' da presidência iraniana citada pela agência France-Presse (AFP).
O secretário-geral da ONU, por seu turno, saudou a continuação das conversações entre os dois países e instou-os a manter o ímpeto das discussões visando "conduzir a resultados concretos e construtivos".
A visão de António Guterres foi partilhada pelo seu porta-voz, Stéphane Dujarric, que, numa conferência de imprensa em Nova Iorque, expressou esperança de que as discussões em curso reduzam as tensões regionais e evitem uma crise mais ampla, "que poderia ter implicações muito abrangentes".
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