UNESCO apresenta projeto para acelerar inclusão de mulheres na ciência
- 11/02/2026
O programa, financiado pelo Canadá, chama-se GenSIS (Gender-Inclusive Science Institutions & Systems, Instituições e Sistemas Científicos Inclusivos em Género) e pretende "apoiar os países e as instituições a enfrentarem os fatores estruturais que promovem a desigualdade de género na ciência".
Isto será conseguido, entre outras linhas de ação, mudando os objetivos para a obtenção de resultados sistémicos e a longo prazo, indicou a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Por exemplo, favorecer-se-á, mais que o apoio à capacitação de "mulheres individuais", as "boas práticas" dentro das instituições que têm o poder de definir trajetórias de carreira na comunidade científica.
"O acesso à ciência não é tão universal como devia ser: demasiadas mulheres e raparigas continuam excluídas da participação na ciência e dos benefícios do progresso científico. Existem barreiras que as impedem de estudar ciências, de liderar investigações científicas ou de serem ouvidas nas comunidades científicas", afirmou o diretor-geral da UNESCO, Khaled al-Anani.
O responsável interveio numa jornada de atividades realizada para assinalar este dia internacional na sede da UNESCO, em Paris, onde lembrou que os números da desigualdade "falam por si".
À escala global, as mulheres são já quase metade dos diplomados do ensino superior, mas apenas um terço delas se licencia em áreas de ciências, tecnologia, engenharia e matemáticas, indicou.
E à medida que avançam nas carreiras, a disparidade aumenta, lamentou Al-Anani, representando as mulheres menos de um terço dos investigadores nestas áreas em todo o mundo, e ocupando apenas uma pequena fração delas cargos de liderança ou de chefia.
O diretor-geral da UNESCO salientou que "estas desigualdades são ainda maiores em setores emergentes importantes: nas principais economias do mundo, as mulheres representam apenas um quarto (26%) da força de trabalho em dados e inteligência artificial, apenas 15% em engenharia e uns meros 12% em computação na nuvem".
"Não podemos permitir-nos isto. Porque quando as mulheres são excluídas da ciência, toda a sociedade sai a perder", acrescentou.
Por isso, destacou que os pilares de ação da UNESCO, em que se inclui o programa GenSIS --- lançado no outono passado, mas agora apresentado --- são: aumentar a visibilidade das mulheres cientistas, combater a desigualdade através da educação e criar ambientes científicos mais inclusivos.
Na jornada de atividades, na sede da UNESCO, participaram em palestras e debates, personalidades como a iraniana Moojan Asghari, ativista e especialista em inteligência artificial, e a colombiana Luisa Fernanda Echevarría-King, académica e líder na área da diplomacia científica.
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