"Uma simples nota musical tem o poder de mudar o mundo"
- 01/01/2026
O maestro Martim Sousa Tavares é um nome incontornável no panorama artístico português, conhecido pela sua paixão em descomplicar e celebrar a beleza da música e das artes.
Após anos a dirigir orquestras e a conceber espetáculos, o maestro, que nasceu em 1991, em Lisboa, aventurou-se agora noutras paragens criativas, lançando o seu primeiro livro infantil, "O Rei Com Música na Cabeça".
Este novo projeto literário marca uma curiosa transição — da complexidade das pautas musicais para a simplicidade e a imaginação do conto.
Por e-mail, Martim Sousa Tavares respondeu a várias perguntas do Notícias ao Minuto sobre os seus mais recentes projetos. Revelou que a escrita para os mais novos é, em parte, o abraçar de uma tradição familiar, sendo a terceira geração a dedicar-se a este universo.
O que motivou o neto da escritora Sophia de Mello Bryner e do advogado Francisco Sousa Tavares e filho dos jornalistas Miguel Sousa Tavares e Laurinda Alves foi, contudo, a vontade de explorar a fundo um conceito intrigante e, para ele, até "cómico": o poder quase ilimitado de uma simples nota musical.
Além do mundo das letras, o diretor artístico, que também apresenta programas na televisão, na rádio e em podcast, está ainda de regresso aos palcos com um novo espetáculo: "Ponto de Fuga". Este stand-up artístico e autobiográfico que já anda a viajar pelo país é um "grande elogio à beleza e à descoberta das coisas belas".
Lançou recentemente o livro infantil "O Rei Com Música na Cabeça". Como surgiu esta ideia de abraçar o mundo da literatura infantil? Revelou recentemente que faz parte quase de uma tradição familiar...
Sim, sou neste momento a terceira geração consecutiva a escrever livros para a geração abaixo da minha. Mas o verdadeiro motivo para escrever foi ter desejado explorar este tema, para mim cómico e intrigante, sobre o poder de uma simples nota musical. Levado ao extremo, podemos mesmo dizer que uma simples nota tem o poder de mudar o mundo.
Porquê?
Com muita imaginação à mistura, uma simples nota musical tem muito poder. Mas em termos práticos do dia-a-dia, infelizmente, um detalhe tão pequenino nunca faria manchetes em lado nenhum. Por isso é que é tão importante termos os livros, onde podemos viver histórias que fora deles seriam impossíveis.
Estreou recentemente também o seu novo espetáculo "Ponto de Fuga" que está já a correr o país e que vamos poder ver (e ouvir) em Lisboa no próximo mês de março. O que traz este espetáculo autobiográfico?
O "Ponto de Fuga" é um espectáculo sobre a importância da beleza, das histórias, das pessoas e da forma como estas enriquecem a nossa vida. O formato é um stand-up, na medida em que estarei a apresentá-lo em palco, e está dividido em cinco segmentos, cada qual intercalado por música ao vivo que vai sendo tocada tanto por mim como pelo João Barradas, sendo que no fim acabamos a tocar em duo. Para além da música ao vivo, o espectáculo conta com passagens pelo cinema e a poesia, traçando um arco que tanto tem momentos para rir como para se ficar comovido, num grande elogio à beleza e à descoberta das coisas belas.
E porquê o nome "Ponto de Fuga"?
É um espectáculo que projecta nas pessoas a ideia de serem o nosso ponto de fuga na vida. São elas quem mais nos dá sentido de perspectiva e que se projectam enquanto ingredientes da nossa própria construção.
Como foi a experiência de passar da pauta para as linhas de um livro? Deixou a porta aberta para mais livros?
Escrevo quase diariamente, por motivos profissionais, desde 2018. Sejam guiões para a rádio ou televisão, sejam textos sobre música, ou outras coisas. O acto da escrita é tão natural como o da leitura. E claro que sim, mais livros virão na minha vida, tal como hei de continuar a inventar música e outros formatos para que as pessoas se apaixonem pela beleza da arte.
Já contou a história à sua filha?
A minha filha foi a primeira a ouvi-la cá em casa, mas tinha na altura 6 meses e por isso creio que não registou grande coisa. Mas tinha vontade de colocar o livro na boca, o que tomo como um sinal de que lhe deu prazer! [risos]
Acha que a sua avó ficaria orgulhosa de o ver também a escrever?
Tenho duas avós. Uma, felizmente, está viva e transborda de orgulho. A outra não está viva mas continua presente, e quero acreditar que ficaria feliz de saber que sou feliz. É só isso que se pede.
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