ULS Tâmega e Sousa vai recorrer "a curto prazo" a 200 camas do exterior
- 20/01/2026
Numa visita ao Hospital Padre Américo, em Penafiel, no distrito do Porto, Álvaro Almeida reconheceu que esta ULS, projetada para 300 mil utentes, mas que presta cuidados a mais de meio milhão, está subdimensionada e é um dos problemas maiores do SNS no Norte do país.
"Vamos tentar resolver o subdimensionamento com várias soluções. As soluções são, entre outras, a utilização de novas camas contratadas ao exterior, isto no curto prazo", disse Álvaro Almeida.
O diretor-executivo falava aos jornalistas após uma reunião com o conselho de administração da ULTS, na qual também participou a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que não falou à comunicação social.
A ULSTS junta o Hospital Padre Américo (Penafiel), o Hospital de São Gonçalo (Amarante), bem como os centros de saúde, e serve uma população de cerca de meio milhão de pessoas, de 11 Municípios.
Álvaro Almeida admitiu que este hospital, sobre o qual são frequentes relatos de internamentos em corredores e no serviço de urgência e que tem atualmente o plano de contingência ativo no nível máximo, necessita de respostas.
Além da utilização de novas camas contratadas ao exterior no curto prazo, o diretor-executivo disse que a solução a médio prazo será avançar para o alargamento do hospital.
Já o presidente do conselho de administração, José Luís Gaspar, admitiu que a necessidade de respostas rápidas é real e que esta ULS necessita "sobretudo de muito planeamento", avançando que quer ver este hospital crescer "para o lado do atual estacionamento", num projeto que irá apresentar à tutela "até ao final deste ano" e que incluirá "um edifício de 10 andares".
Quanto ao plano de contingência, José Luís Gaspar referiu que deverá manter-se ativo até ao final deste mês.
"Aqui tratamos doentes, portanto o doente tem de entrar. Obviamente às vezes não temos camas disponíveis e às vezes tem de aguardar até termos camas disponíveis, mas garantimos que tem a medicação e a vigilância adequadas (...). Estamos em fase decrescente do pico do mês de dezembro, por isso acreditamos que até ao final de janeiro estaremos a passar para nível dois", disse o responsável.
A 08 de janeiro, em resposta à Lusa, a ULS Tâmega e Sousa descreveu o plano de contingência, falando em "ajuste da atividade" que se traduz em suspensão temporária da atividade cirúrgica programada não urgente "para libertar camas de internamento e equipas para o doente agudo".
Disse que estava também em curso o reforço da capacidade externa, com aumento da contratualização de camas ao setor social e privado para doentes agudos e crónicos, bem como o reforço da hospitalização domiciliária.
No campo dos recursos humanos, o conselho de administração falou em "reforço das equipas no apoio assistencial no Internamento do Serviço de Medicina Interna, com recurso a médicos de outras especialidades, nomeadamente Pneumologia, Infecciologia, Endocrinologia e Nefrologia, assim como de Enfermagem".
Nessa data, a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) exigiu conhecer o plano de contingência do Hospital de Penafiel onde 70 doentes permaneceriam internados nos corredores da urgência.
Hoje, confrontado com esta exigência, José Luís Gaspar garantiu que o plano é do conhecimento de todas as direções de serviço.
Internados nas urgências estão hoje 11 doentes, acrescentou a diretora clínica para a área dos Cuidados de Saúde Hospitalares, Filipa Carneiro.
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