UE quer propor aos EUA acordo sobre matérias-primas críticas
- 03/02/2026
A iniciativa será apresentada durante uma reunião ministerial convocada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, marcada para quarta-feira em Washington, que deverá reunir representantes de dezenas de países fornecedores e compradores destes recursos, frequentemente designados como minerais raros.
Segundo fontes europeias, citadas pela agência espanhola EFE, o bloco europeu pretende obter o compromisso de Washington para concluir, no prazo de 30 dias, um memorando de entendimento sobre matérias-primas críticas, à semelhança dos acordos já celebrados com países como Japão, Canadá, Austrália, Ucrânia e Argentina.
O objetivo passa por reforçar a coordenação entre parceiros, evitando concorrência entre si na procura de fornecedores, promovendo projetos conjuntos, uma melhor gestão da procura e dos preços e, em particular, o desenvolvimento de tecnologias de reciclagem e de substituição de matérias-primas críticas.
Estas negociações ocorrem semanas depois de tensões entre Bruxelas e Washington, na sequência de declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Gronelândia, território autónomo dinamarquês rico em recursos minerais, e da ameaça de imposição de tarifas a países europeus.
Após o recuo dessas posições, a UE considera que houve uma desescalada, permitindo retomar a implementação do acordo alcançado no verão entre o bloco europeu e Washington para evitar uma guerra comercial.
Esse entendimento previa, entre outros pontos, a continuação da cooperação face às restrições à exportação de minerais e outros recursos impostas por países terceiros.
Nos últimos anos, a UE intensificou esforços para reduzir a dependência externa de cerca de 30 matérias-primas consideradas críticas para a produção tecnológica, com níveis de dependência próximos dos 100% em elementos como lítio, fósforo, magnésio, grafite e gálio.
Além de promover a extração, o processamento e a reciclagem dentro do bloco comunitário, os 27 Estados-membros apostam na diversificação do fornecimento através de parcerias internacionais, estando também em curso negociações para um memorando de entendimento com o Brasil.
Os minerais críticos, como o lítio, o cobalto e outros componentes raros, são considerados vitais para a produção de baterias, semicondutores, armamento avançado e tecnologias verdes, áreas onde a China detém atualmente uma posição dominante a nível global.
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