UE-Mercosul: Brasil prevê impacto de seis mil milhões no PIB em 2044
- 16/01/2026
O encontro de António Costa e Ursula von der Leyen com Lula da Silva, um dos líderes que mais lutou para a conclusão deste acordo, na cidade brasileira do Rio de Janeiro, acontece um dia antes da assinatura do acordo na capital do Paraguai, Assunção.
De acordo com uma simulação dos efeitos do acordo por parte do Governo brasileiro, os impactos económicos são significativos para o Brasil no longo prazo.
As estimativas, que projetam os efeitos em termos percentuais para o ano de 2044, são de que o acordo poderá gerar um aumento de 0,34% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o equivalente a cerca de 6.000 milhões de euros, e um crescimento de 0,76% no investimento, representando um acréscimo de cerca de 13,6 mil milhões de reais (cerca de 2,2 mil milhões de euros).
No plano do consumo, o impacto esperado é uma redução de 0,56% no nível dos preços ao consumidor.
Os salários reais também deverão beneficiar do acordo, com uma subida estimada de 0,42%.
No comércio externo, os efeitos projetados para o maior exportador mundial de soja, açúcar, café, carne bovina e de frango são expressivos, com um aumento de 2,46% nas importações totais, correspondente a 42,1 mil milhões de reais (aproximadamente 6,7 mil milhões de euros), e um crescimento de 2,65% nas exportações totais, no valor de 52,1 mil milhões de reais (cerca de 8,3 mil milhões de euros).
A União Europeia consolidou-se como o segundo maior parceiro comercial do Brasil.
Em 2024, o comércio bilateral atingiu aproximadamente 88,8 mil milhões de euros, ou seja 15,9% do total do comércio externo brasileiro.
No mesmo período, o Brasil exportou cerca de 44,9 mil milhões de euros em produtos para a União Europeia.
Entre os principais itens exportados destacam-se petróleo e produtos petrolíferos, que responderam por 25,8% do total; café, chá, mate e especiarias com 11,8%; minérios metálicos e sucata com 9%; alimentos para animais com 8,8%; sementes e frutos oleaginosos com 6,3%; celulose e resíduos de papel com 5%; vegetais e frutas com 3,9%; ferro e aço com 3%; máquinas em geral e equipamentos industriais com 2,5%; e carne e preparações de carne com 2,1%.
Por outro lado, o Brasil importou aproximadamente 43,9 mil milhões de euros de bens e serviços provenientes da União Europeia.
Entre os principais produtos importados estiveram máquinas em geral e equipamentos industriais (22,7%); produtos farmacêuticos e medicinais (14,2%); veículos rodoviários (8,6%); máquinas e aparelhos elétricos (5,8%); produtos químicos orgânicos (5,5%); máquinas e aparelhos especializados para indústrias específicas (5,1%); petróleo e produtos petrolíferos (4,7%); plásticos (4,1%); materiais e produtos químicos (3,4%); e ferro e aço (3%).
A assinatura do acordo comercial contará com, além da presidente da Comissão Europeia e do presidente do Conselho Europeu, dos ministros os Negócios Estrangeiros dos países que compõem o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e ainda do atual líder do bloco sul-americano, o Presidente do Paraguai, Santiago Peña.
O acordo permitirá eliminar tarifas para 91% das exportações da UE para o Mercosul e para 92% das vendas sul-americanas para a Europa, abrindo um mercado conjunto de mais de 700 milhões de consumidores, segundo dados da Comissão Europeia.
Para a União Europeia, o tratado abre as portas de um mercado historicamente protegido aos seus setores industriais mais competitivos, como a indústria automóvel e a maquinaria industrial, onde as atuais tarifas entre 35% e 14% desaparecerão progressivamente.
Outros setores que beneficiarão de forma especial serão o químico e o farmacêutico, bem como produtos agroalimentares protegidos por denominações de origem, como os vinhos e os queijos.
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