UE insta Israel a "reverter imediatamente" expansão de colonatos
- 16/01/2026
"A União Europeia insta o Governo israelita a reverter imediatamente a expansão de colonatos, que são ilegais ao abrigo do Direito internacional, após meses de aceleração e intensificação das aprovações de novos planos de colonização na Cisjordânia, incluindo em Jerusalém Oriental", lê-se num comunicado do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE).
A UE pede ao Governo israelita para cumprir "as suas obrigações ao abrigo do Direito internacional e a proteger a população palestiniana nos territórios ocupados".
"A política de colonatos do Governo israelita representa um obstáculo à paz, acarreta o risco de mais instabilidade na Cisjordânia e do deslocamento de milhares de palestinianos, incentiva novas ações por parte de colonos violentos e mina ainda mais as perspetivas de paz a longo prazo e a viabilidade da solução de dois Estados", advertem.
O SEAE critica em particular o projeto de colonatos E1, que, caso venha a ser construído, isolaria Jerusalém Oriental do resto da Cisjordânia, além de cortar a ligação entre Belém e Ramallah, medidas que analistas consideram que inviabilizariam a criação de um Estado palestiniano.
A UE considera que a publicação, pelo Governo israelita, de um prazo para apresentação de propostas no âmbito deste projeto para a construção de 3.410 casas, "bem como o avanço da construção da chamada 'estrada da soberania', que estabeleceria o acesso à zona E1, constituem uma grave provocação".
O projeto em questão inclui a construção de 3.410 casas na área conhecida como E1, um terreno de 1.200 hectares a leste de Jerusalém habitado por várias comunidades beduínas palestinianas.
A terra faz parte do colonato judaico de Ma'ale Adummim, o terceiro assentamento mais populoso da Cisjordânia ocupada, com 40.000 habitantes, e considerado ilegal pelo Direito internacional.
Além disso, o projeto inclui a construção de uma nova estrada que vai separar o tráfego palestiniano e israelita e transferir o controlo militar para entrar em Jerusalém Oriental até 14 quilómetros a leste.
Estima-se que mais de 500.000 colonos vivam atualmente na Cisjordânia, ocupada por Israel desde a guerra de 1967, e outros 200.000 vivam em Jerusalém Oriental, uma zona da cidade ocupada e anexada por Israel.
Os confrontos entre colonos e habitantes locais são frequentes durante incursões na Cisjordânia, onde os colonatos são considerados ilegais pelo Direito internacional.
Segundo o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), pelo menos dois palestinianos foram mortos em ataques israelitas na Cisjordânia até 10 de janeiro.
Em 2025, esses ataques causaram a morte de 242 palestinianos, 55 dos quais menores de idade, número que sobe para cerca de 1.060 desde 7 de outubro de 2023, quando Israel intensificou as suas operações na Cisjordânia após os ataques das milícias de Gaza.
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