Ucrânia: MNE ucraniano diz que responderá aos atos hostis de Orbán
- 27/01/2026
"Acho que o primeiro-ministro da Hungria é uma ameaça para o seu povo", afirmou Sybiga em relação a Orbán, a quem acusou de usar a guerra na Ucrânia para fins eleitorais, em plena contagem decrescente para as eleições legislativas húngaras de 12 de abril.
As declarações de Sybiga surgem após o Governo ultranacionalista húngaro ter anunciado que vai lançar esta semana uma "petição nacional" contra o apoio da União Europeia (UE) à Ucrânia.
O chefe da diplomacia ucraniana afirmou que é recorrente o Governo húngaro utilizar uma "retórica anti-ucraniana" e acusou ainda o executivo de Orbán de estar a "transformar artificialmente" a Ucrânia "num fator da campanha eleitoral" húngara.
O ministro ucraniano explicou que Kiev está a preparar-se para diferentes cenários após as eleições na Hungria e advertiu que responderá "com determinação a qualquer manifestação hostil".
"Creio que respondemos com suficiente determinação e demonstrámos que estamos dispostos a agir se necessário, mas não vamos perder tempo todas as vezes", afirmou o chefe da diplomacia ucraniana, numa entrevista ao jornal digital ucraniano European Pravda.
No entanto, Sybiga sublinhou que "não há outra opção senão conseguir o voto da Hungria" para a adesão da Ucrânia à UE e que, por isso, vão esperar por qualquer mudança que "permita levantar este veto" após as eleições.
O chefe da diplomacia ucraniana considerou que Orbán é o "único obstáculo" que impede a adesão da Ucrânia à UE e que "está a bloquear a inclusão de uma parte do povo húngaro no espaço comum europeu", aludindo à região ucraniana da Transcarpátia, que conta com uma importante população de origem húngara.
A petição que será enviada aos cidadãos húngaros por carta, segundo o texto hoje divulgado, pretende que os cidadãos expressem a sua oposição ao "financiamento continuado da guerra russo-ucraniana", ao "financiamento do Estado ucraniano durante os próximos 10 anos" e ao "aumento dos preços da energia devido à guerra".
Os húngaros poderão indicar se se opõem a uma, duas ou três das opções apresentadas na petição e enviar a sua resposta antes de 23 de março, três semanas antes das eleições.
Esta é a iniciativa mais recente do Governo nacionalista próximo de Moscovo de se distanciar da política da UE, que tem implementado sanções contra a Rússia e apoiado financeiramente a Ucrânia.
No poder há quase 16 anos, Orbán está em desvantagem nas sondagens independentes há meses, num contexto de estagnação económica e de crescente insatisfação com os serviços públicos.
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