UA quer que ONU declare escravatura crime contra a humanidade
- 15/02/2026
"Todos os povos afrodescendentes têm esperado por este dia. A verdade não pode ser enterrada. Os fundamentos jurídicos são sólidos, o imperativo moral é inegável", afirmou John Dramani Mahama, citado num comunicado da Presidência ganesa.
O chefe de Estado ganês falou pela primeira vez desta iniciativa no seu discurso durante a 80.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em setembro passado.
Mahama, enviado especial da UA para impulsionar o pagamento de reparações aos países africanos pelo colonialismo, apresentou a proposta este fim de semana à organização panafricana, durante a 39.ª Cimeira Ordinária, realizada em Adis Abeba.
"A justiça reparadora não nos será oferecida. Tal como a independência política, deve ser reivindicada, prosseguida e assegurada com determinação e unidade", afirmou o Presidente ganês.
Mahama incentivou também os homólogos africanos a criarem comissões nacionais de reparações e a abrirem um diálogo com as suas antigas metrópoles, "historicamente responsáveis".
Depois de a UA ter designado 2025 como o "Ano da Justiça para os Africanos através de Reparações", realizaram-se diversas conferências e encontros que "redefiniram fundamentalmente a narrativa global" e posicionaram as reparações "como instrumentos orientados para o futuro da justiça e do desenvolvimento, em vez de reivindicações centradas no passado", refere o comunicado.
O tráfico transatlântico de escravos decorreu entre os séculos XV e XIX e estima-se que tenha implicado o deslocamento forçado de mais de 12 milhões de pessoas, a esmagadora maioria provenientes da África Ocidental e Central.
Chefes de Estado e de Governo de cerca de 40 países participaram na cimeira da UA, realizada sábado e hoje na capital etíope, para abordar temas como a paz e segurança, a integração económica ou a crise climática, sob a sombra dos múltiplos conflitos que afetam países como o Sudão ou a República Democrática do Congo (RDC).
Além dos líderes africanos, estiveram presentes na sessão de abertura o secretário-geral da ONU, António Guterres, e os primeiros-ministros de Itália, Giorgia Meloni, que falou como convidada de honra, e da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mohammad Mustafa.
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