Trump quer Nobel, mas "não pode" ficar com o de Corina. Que se disse?
- 11/01/2026
Já disse ter terminado com "oito" guerras e que pretende ser galardoado com o Nobel da Paz, tendo feito campanha para obter essa distinção desde que regressou à Casa Branca. Após a entrega do prémio no ano passado a María Corina Machado, Donald Trump cedo revelou que a opositora venezuelana lhe telefonou, dedicando-lhe o Nobel e, agora, há um novo 'capítulo', que fez com que o Instituto Nobel da Noruega viesse esclarecer que tais distinções não podem ser doadas ou partilhadas. Mas o que se disse (e como aqui chegámos)?
O presidente dos Estados Unidos tem, por diversas vezes, sido bastante vocal acerca da sua vontade de ser distinguido com um Nobel da Paz. Em setembro do ano passado, recorde-se, considerou que "seria um grande insulto" ao país se não fosse o 'vencedor': "Eles vão dá-lo a um tipo que não fez nada", considerou Trump, que afirma ter posto fim a vários conflitos.
Com a distinção a recair sobre Corina, o presidente dos Estados Unidos não tardou em destacar que esta lhe telefonou, dedicando-lhe o Nobel. "A pessoa que recebeu hoje [em outubro passado] o Prémio Nobel ligou-me e disse: 'Estou a aceitar isto em sua homenagem porque realmente o mereceu', o que foi muito gentil da parte dela", disse Trump, na altura, em conferência de imprensa.
A Casa Branca, por sua vez, criticou a atribuição do Prémio Nobel da Paz à líder da oposição venezuelana, considerando que "nunca haverá ninguém" como Trump.
Antes, Machado tinha publicado na rede social X uma mensagem onde afirmava que o Nobel é "um impulso para concluir a tarefa" da oposição, "conquistar a Liberdade", invocando para esse fim a necessidade do apoio norte-americano.
"Estamos no limiar da vitória e hoje, mais do que nunca, contamos com o presidente Trump, o povo dos Estados Unidos, os povos da América Latina e as nações democráticas do mundo como os nossos principais aliados para alcançar a Liberdade e a democracia. Dedico este prémio ao povo sofrido da Venezuela e ao presidente Trump pelo seu apoio decisivo à nossa causa!", escreveu.
BREAKING NEWS
— The Nobel Prize (@NobelPrize) October 10, 2025
The Norwegian Nobel Committee has decided to award the 2025 #NobelPeacePrize to Maria Corina Machado for her tireless work promoting democratic rights for the people of Venezuela and for her struggle to achieve a just and peaceful transition from dictatorship to… pic.twitter.com/Zgth8KNJk9
A captura de Maduro e as "ações valentes"
Meses mais tarde, já em janeiro deste ano, os Estados Unidos capturaram Nicolás Maduro. Após a detenção, María Corina Machado voltou a mostrar o seu apreço e agradeceu a Donald Trump pelas "ações valentes" que levaram à 'queda' do até então líder venezuelano.
Durante uma entrevista ao apresentador Sean Hannity, na Fox News, a líder da oposição indicou que o movimento que representa alcançaria "mais de 90% dos votos" em eleições livres e justas -, hipótese que Donald Trump se recusou publicamente a respaldar, dizendo, aliás, que Corina não tem apoio suficiente na Venezuela para liderar o país.
Na mesma entrevista, María Corina Machado salientou que gostaria de entregar ou partilhar o prémio Nobel da Paz com o presidente dos Estados Unidos - que supervisionou a operação para capturar Nicolás Maduro, que, agora, enfrenta acusações de tráfico de droga em Nova Iorque.
"Eu adoraria poder dizer-lhe pessoalmente que nós acreditamos - o povo venezuelano, porque este é um prémio do povo venezuelano - que queremos entregá-lo a ele e partilhá-lo com ele", disse, acrescentando: "O que ele fez é histórico. É um enorme passo para uma transição democrática."
Por sua vez, na sexta-feira, Trump disse que se vai encontrar com María Corina Machado na próxima semana e que seria "uma grande honra" se a dirigente oposicionista venezuelana lhe entregasse o Prémio Nobel da Paz.
"Partilhar" Nobel com Trump? Corina "não pode"
Tendo em conta as declarações, o Instituto Nobel da Noruega esclareceu, no sábado, que María Corina Machado não pode doar o Nobel da Paz ao presidente dos Estados Unidos - como afirmou ser sua intenção -, nem a qualquer outra pessoa.
"Uma vez anunciado, o Prémio Nobel da Paz não pode ser revogado, transferido ou partilhado com terceiros", afirmou o instituto num breve comunicado.
"A decisão é final e irrevogável", acrescentou.
De lembrar que, para já, Donald Trump (apenas) recebeu o Prémio da Paz... da FIFA. Tal distinção foi concedida durante o sorteio do Mundial2026, em 5 de dezembro de 2025, tendo esta sido entregue ao presidente norte-americano pelas suas ações para "promover a paz e a unidade em todo o mundo".
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