Trump avisa: "Vamos fazer algo sobre a Gronelândia, quer gostem quer não"
- 09/01/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta sexta-feira que a sua administração tomará medidas em relação à Gronelândia "quer gostem quer não", reiterando o seu desejo de assumir o controlo do território autónomo da Dinamarca.
"Gostaria de fazer um acordo, sabe, da forma fácil. Mas se não o fizermos da forma fácil, faremos da forma difícil", disse Trump aos jornalistas na Casa Branca, citado pela CNBC.
A agência de notícias Reuters avançou, na quinta-feira, que a administração Trump estaria disposta a oferecer até 100 mil dólares (cerca de 86 mil euros) aos habitantes da Gronelândia para anexar a ilha.
Questionado sobre o valor desses pagamentos, o presidente dos Estados Unidos respondeu: "Ainda não estamos a falar de dinheiro para a Gronelândia. Talvez fale sobre isso, mas agora vamos fazer algo em relação à Gronelândia, quer eles gostem quer não".
"Porque se não o fizermos, a Rússia ou a China vão tomar a Gronelândia, e não vamos querer a Rússia ou a China como vizinhas", defendeu.
As declarações surgem no dia em que o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, falou com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre o reforço da segurança no Ártico.
Rutte discutiu com Rubio "a importância do Ártico para a segurança comum e como a NATO está a trabalhar para desenvolver as suas capacidades" naquela zona, segundo um porta-voz da NATO citado pela agência France-Presse (AFP).
O líder norte-americano tem preocupado os aliados ao recusar-se a descartar o uso da força militar para tomar este território autónomo à Dinamarca, membro da NATO.
Trump afirma que o controlo desta ilha rica em recursos é crucial para a segurança nacional dos EUA, dada a crescente ameaça representada pela Rússia e pela China no Ártico.
A NATO está a trabalhar para reduzir o interesse de Washington na Gronelândia, enfatizando as medidas que está a tomar para reforçar a segurança na região.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um ataque militar norte-americano para tomar a Gronelândia pode significar o fim da aliança militar ocidental com 76 anos.
Mas o comandante das forças da NATO na Europa, o general norte-americano Alexus Grynkewich, garantiu hoje que a aliança está longe de estar em crise.
"Até à data, isso não teve impacto no meu trabalho a nível militar, por isso diria simplesmente que estamos prontos para defender cada centímetro da Aliança, hoje como sempre", frisou o líder de operações da organização, sobre as declarações de Trump.
A Casa Branca, embora não tenha descartado a opção militar, indicou que Trump estava ativamente a ponderar a compra da vasta ilha ártica, sem especificar que forma poderia tomar esta transação.
Além disso, Donald Trump reconheceu, numa entrevista dada na quinta-feira ao jornal The New York Times, que talvez tenha de escolher entre preservar a integridade da NATO e controlar o território dinamarquês.
Questionado sobre estas declarações em Vantaa, cidade a norte de Helsínquia, o Comandante Supremo Aliado recusou comentar o "aspeto político" da questão da Gronelândia.
"Estamos a tentar impedir qualquer ação contra o território da Aliança. Penso que estamos a conseguir. Vemos isso todos os dias", sublinhou.
A Dinamarca já recebeu declarações de apoio da Itália, França, Alemanha, Polónia, Espanha e Reino Unido para fazer face às exigências de Trump.














