Três militantes do Chega entre detidos na megaoperação contra neonazis

  • 21/01/2026

Há pelo menos três militantes do Chega, que já foram candidatos pelo partido em eleições, entre os 37 detidos na operação da Polícia Judiciária (PJ) que visou o desmantelamento de um grupo de ideologia neonazi.

 

Em causa estão, de acordo com o que avança o Jornal de Notícias na sua edição de quarta-feira, Rui Roque, João Peixoto Branco e Rita Castro. Os três estão indiciados por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência em episódios contra estrangeiros.

Rui Roque é líder do núcleo de Faro do 1143 e ficou conhecido no Chega por apresentar, no Congresso de Évora, em 2020, uma moção para retirar os ovários às mulheres que abortam. A moção acabou por ser rejeitada, como o próprio deixou registado na sua página de Facebook, com 59 votos a favor e 240 contra.

Rui Roque iniciou o seu percurso político nos extremistas do PNR (Partido Nacional Renovador), em 2014. Agora no Chega, tem encabeçado algumas manifestações de extrema-direita, nomeadamente contra a imigração.

Os outros dois elementos detidos ligados ao partido são ambos de Guimarães: João Peixoto Branco, de 37 anos, e Rita Castro, de 29. O primeiro foi membro da concelhia vimaranense do Chega, partido no qual ainda milita, e foi candidato à Junta de Freguesia de Selho São Lourenço e Gominhães, em 2021. Ainda segundo o Jornal de Notícias, também é conhecido por episódios de violência em manifestações do 1143. Em junho, agrediu um ativista antifascista em Guimarães.

Rita Castro é da mesma freguesia e foi a segunda da lista do Chega à Câmara de Guimarães, em 2021.

Há ainda um quarto militante do Chega citado no processo, mas não foi detido. É Tirso Faria, líder do núcleo de Santo Tirso do 1143.

É frequente a ligação de vários dirigentes do Chega ao grupo 1143. Como recordou o jornalista Miguel Carvalho, no livro "Por dentro do Chega", o líder do grupo 1143 "referira-se ao Chega, em 2019, como "um cavalo de Troia" para a extrema-direita no Parlamento, incentivando os "nacionalistas" a ingressarem no partido".

Recorde-se que a operação Irmandade, levada a cabo ontem em vários locais do país, terminou com 37 detidos e 15 arguidos. Entre os detidos estão um elemento da PSP e um militar.

O objetivo da Unidade Nacional Contraterrorismo era desmantelar a "organização criminosa responsável pela prática de crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, ameaça e coação agravadas, ofensas à integridade física qualificada e detenção de armas proibidas".

Os detidos têm "vastos antecedentes criminais e ligações a grupos de ódio internacionais". O grupo "adotava e difundia a ideologia nazi, inerente à cultura nacional-socialista e extrema direita radical e violenta, agindo por motivos racistas e xenófobos, com o objetivo de intimidar, perseguir e coagir minorias étnicas, designadamente imigrantes", revelou na terça-feira fonte da PJ.

No decurso da operação Irmandade, que contou com cerca de 300 elementos de diversas unidades da PJ, foram ainda realizadas 65 buscas domiciliárias e não domiciliárias.

No âmbito dessas buscas, contam ainda os inspetores, foi apreendido "um vasto material de propaganda e merchandising alusivo à ideologia de extrema-direita violenta, nomeadamente neonazi, bem como armas diversas".

Os detidos serão presentes esta quarta-feira no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para primeiro interrogatório judicial, tendo em vista a aplicação das respetivas medidas de coação.

PJ encontra "elementos relevantes" em buscas à cela de Mário Machado

A Polícia Judiciária também realizou buscas à cela de Mário Machado, líder do Grupo 1143, que resultaram na apreensão de "elementos relevantes para a investigação" da organização criminosa de ideologia neonazi.

"Confirmamos que fizemos buscas na cela da pessoa mencionada [líder do Grupo 1143, Mário Machado] e que foram apreendidos elementos relevantes para a investigação...que serão analisados no quadro das ações que ainda temos de desenvolver", revelou a diretora da Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCT) da Polícia Judiciária (PJ), Patrícia Silveira, em conferência de imprensa, na sede da PJ, sem revelar que elementos foram encontrados.

Crimes de ódio. Megaoperação da PJ termina com 37 detidos e 15 arguidos

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A operação Irmandade, como foi chamada, decorria desde as 7h00 de hoje, um pouco por todo o país. Os suspeitos detidos, com idades compreendidas entre os 30 e os 54 anos, têm "vastos antecedentes criminais e ligações a grupos de ódio internacionais".

Natacha Nunes Costa | 11:16 - 20/01/2026

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/pais/2923285/tres-militantes-do-chega-entre-detidos-na-operacao-contra-neonazis#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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