Três anos depois, ex-CEO da TAP insiste: "Fui usada como escudo político"
- 18/02/2026
A antiga presidente executiva (CEO) da TAP, Christine Ourmières-Widener, exonerada em março de 2023, na altura pelo Governo de António Costa, espera ainda, três anos depois, o desfecho do caso que impôs contra a TAP. Numa entrevista ao Observador, publicada esta quarta-feira, insiste que o despedimento foi infundado e que nada teve a ver com a sua "performance", sobretudo tendo em conta que foi a responsável pelos "melhores resultados da história recente da empresa".
"Fizemos coisas muito difíceis durante o meu mandato na TAP, mudanças e transformações que eram pré‑requisito para qualquer privatização, que hoje é possível. Isso só foi possível porque fizemos coisas difíceis", referiu.
"Bode expiatório" e "escudo político"
A gestora, atualmente a trabalhar para numa empresa britânica ligada ao hidrogénio para a aeronáutica, considerou que as escutas que foram publicadas entre o, na altura, primeiro-ministro António Costa e o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, demonstram que foi um "bode expiatório".
"Voltaram a provar que fui usada como escudo político, porque nada disto teve que ver com a minha competência enquanto CEO de uma companhia aérea. Foi o Governo a usar-me como escudo político num momento difícil para o Governo", considerou, admitindo ainda que gostava "que as escutas pudessem ser utilizadas como meio de prova, uma vez que são claras quanto aos motivos que levaram à minha saída".
"Vejo‑me como um bode expiatório ou escudo político numa situação que nada teve que ver com a minha performance", sublinhou.
TAP estava em "modo de sobrevivência"
Christine Ourmières-Widener revela ainda ao jornal que, depois da pandemia, na altura em que entrou, a situação da TAP era delicada. "Estávamos a sair da Covid e a empresa estava praticamente em rutura. Era uma questão de sobrevivência. E, quando se está em modo de sobrevivência, a prioridade é pagar salários, pagar combustível – se não se paga o combustível, não se voa. Era realmente um modo de sobrevivência", explicou.
Acordo possível?
Sobre a indemnização de 5,9 milhões de euros que reclama junto da TAP, a antiga CEO da TAP não afasta um acordo. "No mundo empresarial é sempre possível haver conversas e chegar a um acordo quando se quer uma conclusão", admitiu, reforçando: "Sempre estive disponível para me sentar à mesa e encontrar uma solução, porque, para mim, uma das razões pelas quais estou a falar hoje é precisamente o facto de, passados três anos, não haver qualquer conclusão. E acho muito difícil aceitar que, ao fim de três anos, não se tenha chegado a qualquer acordo ou conclusão, depois de acontecimentos que não foram fáceis para ninguém".
Christine Oumières-Widener liderou a companhia aérea desde junho de 2021 até ter sido demitida dois anos depois. Já ontem, terça-feira, foi conhecida a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que confirmou que o processo interposto por Christine Ourmières-Widener contra a TAP deve ser julgado no tribunal cível, rejeitando o recurso da companhia aérea sobre a competência do tribunal. No entanto, a ação principal continua sem desenvolvimentos.
Em causa está a ação interposta por Christine Ourmières-Widener, que contesta a exoneração por justa causa anunciada em março de 2023 pelo Governo, na sequência do parecer da Inspeção-Geral de Finanças sobre a indemnização de 500 mil euros paga a Alexandra Reis.
Com esta decisão, o processo avança para julgamento no tribunal cível, não havendo ainda data para o arranque, onde será apreciado o pedido de indemnização de 5,9 milhões de euros apresentado pela antiga presidente executiva, valor que é contestado pela companhia aérea.














