Tiros nos pés? Sporting guarda cartuchos e ergue monumento europeu
- 29/01/2026
"Queremos que o Sporting seja um grande clube, tão grande como os maiores da Europa". O desígnio de José Alvalade foi, esta quarta-feira, cumprido à risca, com a vitória sobre o Athletic Bilbao, por 2-3, que catapultou os leões diretamente para os oitavos de final da Liga dos Campeões, enquanto uma das oito melhores equipas do Velho Continente.
A primeira vitória da história verde e branca em solo espanhol foi, ainda, assim, fruto de muito sofrimento, grande parte provocado por culpa própria, com uma entrada desastrosa em campo, que se refletiu numa série de erros individuais. O melhor exemplo disso é o primeiro golo da partida, da autoria de Oihan Sancet, logo aos 130 segundos, que surgiu na sequência, primeiro, de um mau alívio de Iván Fresneda, e, depois, de um corte incompleto de Morten Hjulmand.
Os homens de Rui Borges tiveram o mérito de se reerguerem, com um cabeceamento imperial de Ousmane Diomande, após pontapé de canto cobrado por Maxi Araújo, menos de dez minutos depois, mas voltaram a demonstrar tendências autofágicas, que o submeteram a um sofrimento desnecessário.
Aos 26 minutos, o 'vírus' das lesões voltou a assolar a formação portuguesa, desta feita, para contagiar Gonçalo Inácio, que, sem condições para continuar, deu o lugar a Matheus Reis. Este entrou e... 'borrou a pintura' de imediato, perdendo a bola para Gorka Guruzeta e deixando-o escapar, na esperança de ser assinalada falta, no lance que ditou mais um tendo basco.
Ao intervalo, o cenário era negro, mas, na segunda parte, mudou-se por completo. O Sporting regressou do balneário de 'cara lavada' e conseguiu, de uma vez por todas, ter a bolas nos pés, pelo que foi com relativa naturalidade que surgiu o golo da igualdade, aos 62 minutos, por intermédio de Francisco Trincão.
O empate não chegava, mas os minutos passavam e este teimava em manter-se. Foi então que Alisson Santos fez jus à fama de 'arma secreta', e, acabado de entrar para o lugar de Francisco Trincão, marcou, já quatro minutos depois dos 90, após um belo trabalho individual, o tento que selou, de uma vez por todas, o resultado final.
O Sporting termina, assim, a fase de liga da prova milionária no sétimo lugar, com os mesmos 16 pontos de Chelsea e Manchester City, pelo ficará à, agora, à espera pelo adversário que irá encontrar nos oitavos de final, num playoff no qual estão envolvidos Bodo/Glimt, Real Madrid, Internazionale e... Benfica.
O Athletic Bilbao, ficou-se pela 29.ª posição da classificação geral, com oito pontos, tantos quanto PSV, Napoli e Copenhaga, o que significa que está arredado das competições europeias.
Figura
Um Francisco Trincão deste nível jamais poderá ser uma figura de segundo plano numa seleção nacional, seja ela qual for. O internacional português até nem foi particularmente vistoso, no primeiro tempo, mas, no segundo, com a entrada de Pedro Gonçalves, ganhou toda uma outra dimensão, com uma exibição que fez acompanhar do golo que deu o mote para a reviravolta.
Surpresa
Tomara a muitos clubes terem uma 'arma secreta' como Alisson Santos. Perante a 'ameaça' dos reforços de inverno Luís Guilherme e Souleymane Faye, o avançado brasileiro responde com ações decisivas nas oportunidades que lhe vão sendo concedidas, e, desta feita, marcou o golo da vitória do Sporting, sete minutos após ter rendido Francisco Trincão.
Desilusão
Matheus Reis demonstrou, uma vez mais, que é capaz do melhor e do pior. Uma semana depois de ter comandado a defesa do Sporting, na vitória sobre o Paris Saint-Germain, cometeu um erro imperdoável. Ao invés de perseguir Gorka Guruzeta, depositou as esperanças num apito que não chegou e ficou diretamente ligado a um golo que podia ter custado caro.
Treinadores
Ernesto Valverde: O Athletic Bilbao 'tombou', sobretudo, devido à falta de ambição do próprio treinador. Das duas vezes em que a equipa esteve em vantagem, recuou de imediato linhas e expôs-se ao ataque de um Sporting que 'desesperava' por marcar, o que acabou por fazer. À beira do apito final, e a precisar de fazer um golo para seguir em frente, ao invés de 'imitar' o que José Mourinho fez com Anatoliy Trubin, no Benfica-Real Madrid, e mandar subir Unai Simón, ordenou-o a ficar na baliza... e sofreu na mesma.
Rui Borges: Lançou Daniel Bragança no onze inicial, com o objetivo de dar à equipa outra capacidade de preservar a bola, mas o 'tiro saiu-lhe pela culatra'. Ainda assim, soube emendar a mão, com uma 'masterclass' de gestão. Fez entrar Pedro Gonçalves (que libertou Francisco Trincão), Eduardo Quaresma, Hidemasa Morita (que seguraram a defesa e o meio-campo, respetivamente) e Alisson Santos (que marcou o golo da vitória), e alterou por completo o rumo do jogo.
Árbitro
Uma exibição positiva por parte do juiz alemão Felix Zwayer, que decidiu bem, na esmagadora maioria dos lances mais sensíveis do jogo, como foram o do segundo golo do Athletic Bilbao (em que Matheus Reis reclamou falta de Gorka Guruzeta) ou o do tento anulado ao Sporting (por fora de jogo de Luis Suárez). Um dos poucos erros surgiu quando assinalou grande penalidade a favor dos leões, por falta de Adama Boiro sobre Geny Catamo, mas até aí acabou por estar bem, numa 'supersónica' revisão junto do VAR.
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