Timorenses protegem ovos de tartarugas marinhas e libertam milhares
- 17/01/2026
Curiosos, timorenses e estrangeiros, juntam-se naquele local a aguardar o final da tarde para assistir a uma nova fase daquelas pequenas tartarugas marinhas, a sua libertação para o mar, quando os predadores, principalmente aves, se recolhem para dormir.
"O Lenuk Tasi é um grupo de voluntário que surgiu da iniciativa de um grupo de jovens recém-formados com uma grande paixão pela conservação e proteção das espécies ameaçadas no mundo, como as tartarugas marinhas", disse Jinho Braz de Araújo, coordenador da Lenuk Tasi.
O principal objetivo do grupo é salvaguardar e proteger as espécies ameaçadas.
Os jovens voluntários levam os ovos de tartarugas recolhidos em praias da costa norte de Timor-Leste para o centro de conservação de Ulmera, para os protegerem. Naquele local, os ovos são colocados em incubadoras e enterrados em areia dentro de tanques construídos com cimento.
Após um período que pode variar entre 40 e 60 dias, os filhotes nascem e emergem na superfície de areia daqueles tanques, depois é só esperar uns dias e ajudá-los a chegar ao mar. É este espetáculo que é visto pelas pessoas que se juntam naquela praia de Ulmera.
Em Timor-Leste existem cinco ou seis espécies de tartarugas marinhas, mas o Lenuk Tasi (Tartaruga do Mar) apenas identificou três espécies, nomeadamente a tartaruga-verde, a tartaruga oliva e a tartaruga hawksbill.
A associação tem um plano ambicioso e quer até 2030 libertar 20 mil crias de tartarugas marinhas.
"Isto é apenas um plano, mas estamos a esforçar-nos por continuar a trabalhar de forma consistente, para garantir segurança e proporcionar espaço às tartarugas que vêm depositar os seus ovos", explicou Jinho Braz de Araújo.
Questionado pela Lusa sobre quais as principais ameaças aos ninhos das tartarugas marinhas, o responsável deu como exemplo a recolha e o consumo dos ovos por parte da população.
"Atualmente, as ameaças são muitas. A principal continua a ser a recolha e o consumo dos ovos de tartaruga. Não culpamos diretamente as comunidades nem os pescadores costeiros, mas este problema persiste. Sabemos que esta prática é ilegal, pois existem leis em Timor-Leste que protegem as espécies ameaçadas. No entanto, é fundamental reforçar a sensibilização e a educação das comunidades sobre as tartarugas marinhas, nomeadamente no âmbito do ecoturismo, da conservação e da geração de rendimento", salientou.
Jinho Braz de Araújo disse também que as carapaças da espécie hawksbill são utilizadas para fazer colares e pulseiras, que depois são vendidas de forma ilegal nos mercados.
Outra ameaça identificada é o desenvolvimento nas zonas costeiras, sem que sejam feitos estudos de impacto ambiental, que prejudicam os locais de desova das tartarugas marinhas.
Apesar destes desafios, o coordenador destacou a importância da sensibilização e educação das comunidades, para compreenderem os benefícios da conservação das tartarugas marinhas, nomeadamente em termos de ecoturismo e geração de rendimento.
"Trabalhamos em colaboração para desenvolver campanhas nas escolas, introduzindo conteúdos sobre a vida marinha, especialmente em escolas localizadas perto da costa e em áreas remotas", disse.
Mas, segundo o coordenador da associação, "existe uma grande carência de materiais educativos sobre o meio marinho".
"Isso faz com que muitos estudantes não compreendam nem reconheçam os benefícios dos animais marinhos", acrescentou.
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