Testámos o BMW i7, um carro que não é só para ser conduzido
- 08/02/2026
O BMW i7 é uma berlina de luxo e um dos modelos 100 por cento elétricos na gama atual do fabricante. É como que o equivalente elétrico do Série 7, tendo sido originalmente introduzido em 2022.
O Auto ao Minuto teve a oportunidade de conduzir este modelo durante alguns dias na sua versão eDrive 50, tendo contacto com um automóvel de grandes dimensões (5,3 metros de comprimento) e com características que oferecem bem mais do que a condução. Fizemos percursos mistos, quer em autoestrada, quer em cidade e em estradas nacionais, apanhando também situações de trânsito em hora de ponta.
De facto, diríamos que conduzir este carro não permite desfrutar de todas as comodidades que existem no seu habitáculo - cuja insonorização se destaca. É que são os passageiros, que não precisam de estar atentos à estrada, que podem usufruir verdadeiramente de todas as comodidades do veículo sem preocupações.
Atrás, há confortáveis bancos em pele Merino, um amplo espaço para pernas (graças a uma distância entre eixos superior a três metros, há espaço de sobra), um confortável apoio para braços ao centro (se esse lugar não estiver a ser usado) e há vidros escurecidos. O tejadilho panorâmico pode fechar-se, tal como as persianas do vidro traseiro e das janelas. Os passageiros de trás podem fazer o controlo dessas cortinas através de pequenos ecrãs digitais nas portas - que também permitem aceder ao controlo da multimédia e da climatização. Não há puxadores convencionais, e sim um botão em que se carrega para abrir as portas.
A condução
Posto isto, o nosso contacto com o carro foi a conduzi-lo. A versão eDrive 50 tem tração traseira e uma potência de 455 cv, com o binário a atingir os 650 Nm. Promete uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 5,5 segundos - algo que consideramos um registo mais do que suficiente para o tipo de carro que é, cujo peso supera as três toneladas.
Tem um acelerador bem responsivo e uma posição de condução relativamente elevada, sendo que o pedal do travão também proporciona uma sensação de controlo. O BMW i7 revelou-se confortável e fácil de conduzir, mas não é o mais ágil e dinâmico dos automóveis - o seu peso faz-se sentir em curvas, acabando por não ser um comportamento inesperado de um carro com estas características. Já a suspensão absorve muito eficazmente as irregularidades do piso.
O volante permite posicionar as mãos de forma ideal e há um banco do condutor (com opções de climatização) que não deixa nada a desejar em conforto. Na unidade ensaiada, o condutor usufrui de um prático head-up display no seu campo de visão - que exibe o essencial, como a velocidade de circulação e limites, ajudas ativadas ou até bússola. Depois, no painel de instrumentos digital na posição tradicional atrás do volante é possível consultar informações diversas - desde os consumos à autonomia projetada, passando pela visão assistida, navegação, medidor de forças G ou multimédia reproduzida. Tudo de controlo fácil e intuitivo, sem requerer grandes desconcentrações do essencial - a estrada à frente.
É prometida uma autonomia de até 612 km, graças à bateria de 101,7 kWh, que nos pareceu um pouco ambiciosa ao longo do teste. De facto, os consumos anunciados são elevados (19,1 a 20,3 kWh por 100 quilómetros) - as mais de três toneladas não ajudam.
É anunciado um tempo de carregamento dos 10 aos 80 por cento de 34 minutos. Durante a utilização, carregámos a 49 kW dos 54 aos 78 por cento em cerca de meia hora, pagando sensivelmente quatro euros.
Design e outros recursos
Por dentro, para além das funcionalidades já referidas para condutor e passageiros, encontramos um BMW i7 sóbrio, espaçoso e confortável.
Se os utilizadores quiserem, podem selecionar entre os MyModes, que adaptam o carro às preferências a cada momento - inclusive através da iluminação ambiente e dos Iconic Sounds. O Sport, por exemplo, torna os bancos mais justos na zona lombar e dota o habitáculo de um colorido a azul e vermelho remetendo para a BMW M, para além de reproduzir o Iconic Sound Sport que faz lembrar motores de combustão de outras eras.
Já o Expressive põe os bancos a dar massagens, abre o tejadilho panorâmico e dá um ambiente alegre em amarelo e azul. O Relax também está associado a um programa de massagens do banco, deixando o carro com todas as persianas fechadas e um ambiente escuro. O Silent fecha todas as persianas e põe a iluminação ao mínimo - sendo ideal para os passageiros poderem dormir numa deslocação mais longa. Há ainda o Efficient, que privilegia a eficiência - sobretudo se for ativada a autonomia máxima, que limita a velocidade a 90 km/h. Depois, o Digital Art deixa o habitáculo em tons de roxo, com as cortinas abertas, dando ainda acesso à guia de áudio da artista Cao Fei.
Não diríamos que o BMW i7 é um carro visualmente apelativo, mas sim imponente. A dianteira tem uma grelha em formato de rins de grandes dimensões, uma espécie de recorte lateral para entradas de ar, uma grelha inferior e dois planos de óticas. Há puxadores de portas não embutidos, mas inseridos no plano da carroçaria, enquanto a traseira tem um perfil mais elegante e minimalista.
Visto de lado, não parece intuitivamente um BMW, mas quem entra fica a perceber imediatamente qual é a marca - cujo 'lettering' está inserido em todas as soleiras de portas. E, ao abrirem-se as portas traseiras, encontra-se um 7 no pilar B.
Outros recursos incluem tomadas USB-C: duas ocultas no compartimento de arrumação da consola central à frente e outras duas no repouso para braços atrás. Já quem estiver nos bancos frontais, pode aceder a um carregador wireless para smartphones, à frente da consola central.
Ao contrário do que acontece em alguns veículos modernos, a BMW não dispensou os botões físicos, que se podem encontrar no habitáculo e no volante, e para diferentes funções. A consola central está repleta deles, incluindo um basculante para o controlo do som ou um rotativo para controlar o sistema de infoentretenimento.
Visualmente, a bagageira parece pequena, mas olhando para as especificações do automóvel constatamos que tem 500 litros de capacidade - algo que consideramos ser generoso.
Preço e comentário final
Em Portugal, o BMW i7 eDrive50 está disponível, atualmente, a partir dos 122 mil euros. Em suma, é um carro confortável, bom de conduzir, espaçoso e com características que o deixariam competente para viagens longas - não fosse a autonomia não permitir deslocações de muitas centenas de quilómetros sem reabastecer. O peso elevado tem as suas desvantagens, mas em nada torna o carro pouco prático ou 'inguiável'. E é a demonstração que luxo e eletrificação podem andar de mãos dadas, tendo especificações, materiais e equipamento premium ao dispor.
ESPECIFICAÇÕES TECNICAS
BMW i7 eDrive50
MOTOR
| Posição | Eixo traseiro |
|---|---|
| Potência | 455 cv |
| Binário | 650 Nm |
TRANSMISSÃO
| Tração | Traseira |
|---|---|
| Caixa de velocidades | Automática |
CHASSIS
| Suspensão | Suspensão pneumática |
|---|---|
| Travões | Discos ventilados (à frente e atrás) |
| Direção | Assistência eletrónica |
DIMENSÕES E CAPACIDADES
| Comp. x Larg. x Alt. | 5.391 mm x 1.950 mm x 1.544 mm |
|---|---|
| Distância entre eixos | 3.215 mm |
| Capacidade da mala | 500 l |
| Capacidade da bateria | 101,7 kWh |
| Autonomia | Até 612 km |
| Tempo de carregamento 0-80% | 34 minutos (corrente contínua) |
| Rodas | FR: 245/50 R19; TR: 245/50 R19 |
| Peso | 3.130 kg |
PRESTAÇÕES E CONSUMOS
| Velocidade máxima | 205 km/h |
|---|---|
| 0-100 km/h | 5,5s |
| Consumo misto | 20,3 kWh/100 km |
| Emissões CO2 | 0 g/km |
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ANÁLISE 
É um prazer conduzir o BMW i7, um elétrico que, apesar do seu considerável peso, tem um comportamento estável e previsível - embora não muito ágil. Mas não é na condução que podemos tirar o máximo partido de todas as comodidades desta berlina elétrica executiva - que oferece uma experiência de grande conforto e luxo para os passageiros que nela se desloquem.
Espaço, especialmente nos bancos de trás
Tempo de carregamento
Conforto a bordo
Estética exterior da parte dianteira
O peso sente-se no comportamento em curva
Preço














