"Tempestade SOS". Novo site liga quem quer ajudar a quem precisa de ajuda
- 30/01/2026
"Tempestade SOS" é a nova plataforma criada dedicada aos que precisam de ajuda e aos que querem ajudar quem foi prejudicado pela depressão Kristin, que matou, pelo menos, cinco pessoas, e deixou, em particular, o Centro de Portugal completamente devastado.
Pode aceder ao site através de tempestadesos.com.
O site, criado pelo mesmo projeto que já tinha lançado a plataforma "Portugal sem Chamas", oferece logo na sua página principal a hipótese de "Pedir Ajuda" e "Quero Ajudar" aos visitantes. Se quiser ou precisar, basta clicar num desses botões para se inscrever.
A iniciativa é completamente gratuita e não tem qualquer fim lucrativo. A plataforma visa ligar pessoas que precisam de ajuda com quem possa ajudar, que estejam perto uma da outra para facilitar a entreajuda.
"Aqui, ninguém fica para trás", lê-se em letras amarelas. "Precisas de ajuda? Queres ajudar? Nós fazemos o match [ligação, em português]."
"Depois de uma tempestade, o mais urgente é chegar ao essencial: energia, água, comunicações, abrigo e transporte. Pede ajuda em dois minutos ou oferece apoio - e ligamos pessoas da mesma zona", pode ainda ler-se na página inicial da plataforma.
Ao lado, o site disponibiliza uma caixa de comentários para "deixar uma palavra amiga", onde se podem ler algumas palavras de apoio.
"Vocês não estão sozinhos"; "Vou sair amanhã de Lisboa com o carro carregado de bens de primeira necessidade, sobretudo produtos de higiene pessoal e alimentos. Ninguém larga a mão de ninguém!"; "Força, e coragem, Leiria existe e não está esquecida, todos juntos vamos fazer a diferença!"
Página inicial do site "Tempestade SOS"© Reprodução/Tempestade SOS
Depois dessa parte inicial, o site disponibiliza ainda todos os alertas atualmente em vigor, desde a neve à possibilidade de cheias, com distrito, dia e horas e gravidade discriminados.
Ao todo, já houve 34 pedidos de ajuda, a maioria em Leiria, a região mais afetada pela depressão, e acerca de reparações em telhados ou a pedir geradores.
"Parte do telhado voou e está a chover em todo o lado. Parte do teto também está a começar a ceder", relata uma pessoa em Leiria.
"Gerador para manter arcas e frigorífico a funcionar. A casa é dos meus pais (73 e 70) , ficou bastante danificado o telhado. Vivo em Lisboa mas amanhã vou para lá!", lê-se num outro pedido.
"Eu sou mãe, vivo em Mafra. Tenho lá a minha filha e netos em desespero. Já mandei o que conseguia; hoje uns amigos também ajudaram. Precisamos urgentemente de leite para a bebé (Hatamil 2), fraldas (tamanho 5), uma botija de gás, alimentos (mas não podem ser congelados, pois não têm luz nem água), papas para os meninos (a menina tem 6 anos e o menino 5), papel e produtos de higiene. Ela não tem comunicações, só quando sai. Sou eu que estou a mandar para colegas meus lá perto e eles estão a enviar. Estou desesperada", confessa ainda uma avó.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00h00 de quarta-feira até às 23h59 de dia 1 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.














