Tempestade? Seguro diz querer que "o assunto não saia da agenda política"
- 02/02/2026
António José Seguro defendeu, esta segunda-feira, que o Estado tem de ser mais eficiente na resposta às pessoas em situações de crise como a que a depressão Kristin causou.
"Nós temos de garantir que o Estado não falta às pessoas, que não as abandona", afirmou o candidato às presidenciais na Grande Entrevista da RTP, exemplificando que isso acontece mesmo em "tempos normais", designadamente com "pessoas que vivem longe dos grandes centros".
"E isso aconteceu nesta catástrofe. Ainda hoje nós temos pessoas que não têm água, que não têm energia elétrica - e não estamos a falar de tão poucas pessoas quanto isso", frisou. "O Estado tem de ser mais eficiente na resposta para garantir que as pessoas, passado a catástrofe, tenham as suas consequências minoradas."
Na ótica de Seguro, a articulação entre o poder local e o poder nacional "perdeu alguma fluidez", mas hoje há meios que permitem mapear e identificar mais rapidamente os danos ou as estradas que estão intransitáveis.
"O Estado tem de ser mais eficiente na resposta às pessoas", insistiu.
Por outro lado, António José Seguro garantiu que tudo fará para que o assunto não caia no esquecimento porque "muitos destes municípios já foram flagelados pelos incêndios e agora são flagelados por esta tragédia".
"Isto não pode sair daqui sem que se tirem ilações e consequências para o futuro", defendeu, insistindo que as repostas têm de ser "mais rápidas e mais eficientes".
"Quero que este assunto não saia da agenda política do nosso país. Há sempre uma tendência para esquecer e eu não quererei. No que depender de mim, não quererei que este assunto saia da agenda política", repetiu.
António José Seguro recorda que visitou Leiria logo na quarta-feira, a Marinha Grande na quinta-feira e Ourém na sexta-feira.
"E foi muito importante para mim para depois dar voz às necessidades. Na quinta-feira de manhã estava a pedir ao país que pudesse canalizar geradores para a região de Leiria e para os concelhos afetados porque essa era uma reivindicação que os autarcas estavam a ter. Só que eu tinha voz e podia fazer essa mediação e esse apelo", explicou, defendendo que em momentos de aflição, é mais importante apresentar propostas do que fazer o "passa culpas".
O candidato presidencial defendeu também a necessidade de alargar os prazos do PRR porque o país "tem pouca disponibilidade de construção civil e de mão de obra e, neste momento, há uma urgência que é reparar os telhados e as casas das famílias e também as unidades industriais e empresariais que estão afetadas".
Ainda sobre a tempestade, o candidato apoiado pelo Partido Socialista garante que, como Presidente da República, irá trabalhar para garantir, "com as instituições respetivas e com o Governo, que o Estado se vai munir de instrumentos para ser mais eficiente na resposta".
"Cada entidade pública tem de saber rigorosamente o que vai fazer e onde deve estar. Esse é o papel que o Presidente da República, na minha opinião, deve ter. E garantir que o Estado vai ter uma discussão séria sobre esse assunto", considerou.
Defendendo que o plano apresentado pelo Governo vai "no sentido certo", António José Seguro insistiu noutros instrumentos como o alargamento no prazo do PRR.
Seguro "preocupado" com a ideia de que não vale a pena ir votar
Quanto à ida às urnas no próximo domingo, Seguro teme que "possa haver uma desmobilização", tanto por causa da tempestade, quanto por causa das sondagens, que lhe dão "uma grande diferença em relação" a André Ventura. "Portanto o meu apelo constante é para que as pessoas vão votar", pediu.
"Não se trata apenas de escolher o perfil do próximo Presidente da República, mas também escolher qual é o caminho que o país quer seguir. Há dois caminhos completamente distintos: há um caminho de divisão, de ódio, de pôr os portugueses uns contra os outros; e há um caminho de união, de agregação, de defesa do nosso chão comum", afirmou o candidato.
Em caso de divergência com um Governo ou com um primeiro-ministro, António José Seguro considera que, "em qualquer momento" e numa "situação dessa gravidade", tomará a iniciativa de reunir com o primeiro-ministro e de pedir as explicações e os resultados que achar adequado".
"Sou um defensor da lealdade institucional e portanto a minha prioridade é que essas conversas sejam tidas com o primeiro-ministro e fiquem com o primeiro-ministro. Eu não venho para criar instabilidade, eu venho para garantir estabilidade. A estabilidade é essencial para que os Governos governem bem e para que os problemas do país se resolvam", conclui.
"Serei sempre parte da solução, nunca parte do problema", acrescentou. "Eu não olho para a Presidência da República como o local para fazer oposição a este ou a qualquer outro Governo. O Presidente da República é o garante da estabilidade."
Seguro sublinhou também que não quer que "o país recue a nenhum passado, muito mais a um passado de há 50 anos". "Quero um país que pense no seu futuro, que seja um país moderno, que seja um país que consiga criar oportunidades para os nossos jovens, que saiba integrar robótica, inteligência artificial, a era digital naquilo que é o seu projeto para que o país crie mais riqueza e com isso possa pagar melhores salários e melhores pensões", defende.
Sobre a futura possível relação com Luís Montenegro, Seguro garante que terá com o primeiro-ministro uma relação de "lealdade institucional", onde dirá sempre o que pensa.
Questionado sobre se costuma falar com Luís Montenegro, o candidato a Belém diz que não: "Nós encontrámo-nos há 11, 12 anos no Parlamento, mas não; desde essa altura que não tenho contacto absolutamente nenhum. É uma relação que vai ser construída, mas julgo que a base dessa relação assenta no respeito mútuo por aquilo que são as competências constitucionais quer do primeiro-ministro quer do Presidente da República", enfatizou.
"Não me compete a mim, como candidato a Presidente da República, estar a avaliar um Governo, sobretudo quando ainda está a meio do seu mandato. Aquilo que é a minha responsabilidade é exigir que os governos resolvam os problemas das pessoas", atirou.
Sobre o seu perfil como possível Presidente da República, Seguro garante que será "um presidente equidistante dos partidos": "Não serei um presidente neutral, porque serei um presidente fiel à atual Constituição da República, fiel aos valores da democracia e fiel aos valores da liberdade", assumiu.
"O meu adversário está na eleição errada. Ele está a disputar a terceira volta das eleições legislativas. Eu não: eu ambiciono ser o Presidente de todos os portugueses e aqui há uma diferença bastante grande quanto às prioridades que temos nestas eleições", acrescentou, defendendo que o debate deve ser feito com base em factos e não em "manipulações, desinformações ou insultos".
Na sua visão, o seu adversário "põe em risco a democracia" ao colocar "os portugueses uns contra os outros".
"Esta coisa de dizer '50 anos de corrupção'... Algum português acredita nisso? Com o avanço que o país fez? Eu quero mudar muitas coisas neste regime, mas não quero mudar de regime", afiançou. "Eu quero ser o presidente dos novos tempos, eu não quero recuar ao passado."
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