Teixeira Lopes alerta que Bloco está "no limiar da irrelevância política"
- 29/11/2025
"O BE encontra-se hoje no pior momento da sua história. Estamos no limiar da irrelevância política. Isso não aconteceu de um dia para o outro nem por obra do acaso", avisou João Teixeira Lopes, na 14.ª Convenção Nacional do BE, que decorre no pavilhão municipal do Casal Vistoso, em Lisboa.
Na opinião do bloquista, tal "não aconteceu de um dia para o outro" mas sim porque o partido quebrou "com o povo de esquerda um laço de confiança e de afeto".
"Em poucas palavras: esse povo já não se sente representado por nós", alertou.
O antigo deputado na Assembleia da República considerou que o BE "faz falta" mas precisa de se renovar e mudar práticas, além das caras, e avisou que "uma convenção só vale a pena se não for um ritual vazio".
"Não há cerrar fileiras sem olhar de frente para a verdade. Não basta carregar no botão automático da luta de classes e partir maquinalmente para a próxima batalha. Este momento pede debate franco de ideias e de projetos. Não como penitência estéril, ou fetiche ou ritual de autoflagelação, mas como condição para reencontrarmos a energia da transformação", apelou.
João Teixeira Lopes disse confiar em José Manuel Pureza -- que deverá ser consagrado coordenador do BE no domingo -- e na sua capacidade de "reatar o fio do afeto com o povo de esquerda", "verdadeiramente escutar" e "relançar a esperança".
Leonor Rosas, que integrou a direção cessante e sai nesta convenção, lamentou a "mais séria crise existencial" do partido, considerando que "o tempo é de mudança radical".
"Restaurar a confiança interna passa por um processo moroso e franco de redemocratização interna, recusando as reuniões decididas antes de começarem e as câmaras de eco em que se transformaram tantos órgãos de direção e acabando com a centralização do poder em tão poucos e em reuniões em que ninguém está e das quais ninguém sabe", criticou.
"Precisamos de mapear o enraizamento da nossa militância e priorizar a organização na vida lá fora de todas as pessoas que militam no nosso espaço, nas escolas, nas faculdades, nos locais de trabalho, nas associações, de verdadeiramente nos infiltrarmos nas estruturas da vida quotidiana e de não abdicarmos de o fazer", disse.
Outros delegados críticos da direção apontaram também erros ao partido, da falta de organização interna, à "política ziguezagueante" e exigiram mais abertura e participação nas lutas dos trabalhadores.
Maria Jorgete Teixeira, da moção B, lamentou que as várias chamadas de atenção sobre "a saúde interna" do BE tenham sido ignoradas ao longo dos anos e só tenham começado a ser ouvidas após "o tombo estrondoso" das legislativas. Só nesse momento, disse, se assumiram algumas culpas mas "durou pouco".
O momento, alertou, "requereria uma convenção diversa" mas tal "não aconteceu" e o BE encontra-se "na habitual convenção comício onde tudo já está decidido".
Maria Jorgete Teixeira lamentou ver "um bloco animicamente ferido", no qual apenas 10,7% dos aderentes participaram na eleição de delegados e em que apenas "dois votos" elegeram delegados à Convenção.
Sobre a erosão social do BE, Luís Sottomaior, subscritor da moção S, disse que foi eleito delegado por sete votos, ironizando que "foi uma excelente média porque há muita gente que foi eleita com um ou dois".
O bloquista referiu que os cadernos eleitorais do BE "não estão bem", havendo pessoas que não votam, outras que não pagam quotas e outras que "nem sequer querem dizer que já não querem estar".
Luís Sottomaior disse esperar que as palavras "renovar, mudar, corrigir, aumentar a participação, recomeçar, refundar", que se ouviram na Convenção, não sejam "palavras vãs" no trabalho futuro do BE.
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