Tarique Rahman empossado oficialmente como primeiro-ministro do Bangladesh
- 17/02/2026
Herdeiro de uma conhecida dinastia política, Rahman, de 60 anos, prestou juramento perante o presidente do Bangladesh, Mohammed Shahabuddin, prometendo "fé e lealdade" ao país e também "proteger a Constituição".
O escrutínio de quinta-feira, que deu uma vitória expressiva ao BNP, foi considerado determinante para o futuro panorama político do país, após anos de rivalidade intensa e eleições contestadas.
Tarique Rahman, cujo mandato terá a duração de cinco anos, é filho da antiga primeira-ministra Khaleda Zia e do antigo Presidente Ziaur Rahman. É também o primeiro chefe de Governo do sexo masculino no Bangladesh em 35 anos.
O Presidente Mohammed Shahabuddin, com funções sobretudo representativas, conferiu posse a Rahman. Dezenas de membros do Governo e do novo executivo também prestaram juramento.
O BNP e aliados conquistaram 212 lugares no Parlamento, composto por 350 deputados, enquanto uma aliança de 11 partidos liderada pelo Jamaat-e-Islami, o maior partido islamita do país, obteve 77 assentos, passando a constituir a oposição, embora tenha considerado que a votação de quinta-feira foi fraudulenta, condenando a violência que se verificou.
No Bangladesh, os eleitores elegem diretamente 300 deputados, sendo os restantes 50 lugares reservados a mulheres e distribuídos proporcionalmente pelos partidos vencedores.
Rahman, de 60 anos, regressou ao país em dezembro, após 17 anos de autoexílio em Londres e pouco antes da morte da mãe, e prometeu trabalhar em prol da democracia no Bangladesh, país com cerca de 170 milhões de habitantes.
O Governo interino liderado pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus supervisionou as eleições, consideradas em grande medida pacíficas e amplamente aceites pelos observadores internacionais.
O principal rival de Rahman, o partido Liga Awami do Bangladesh, liderado pela antiga primeira-ministra Sheikh Hasina - destituída na revolta popular de 2024 - foi impedido de participar nas eleições.
A administração liderada por Yunus proibiu igualmente todas as atividades do partido de Hasina, que governou o país durante 15 anos.
A coligação Jamaat-e-Islami liderada pelo partido de base islâmica exigiu, pela segunda vez desde que os resultados foram anunciados na sexta-feira, uma investigação transparente sobre a manipulação dos resultados e a repetição da contagem em vários círculos eleitorais.
Segunda-feira, numa nova marcha de protesto, os manifestantes reunidos perto da mesquita nacional de Baitul Mukarram denunciaram agressões e intimidações sistemáticas contra seus ativistas em vários distritos do país.
O secretário-geral do partido islâmico, Mia Golam Parwar, afirmou durante a marcha que as irregularidades e a violência destruíram os sonhos democráticos da população após a queda do regime anterior.
Um relatório da Sociedade de Apoio aos Direitos Humanos revelou que pelo menos dez pessoas morreram e mais de 2.500 ficaram feridas desde o início da campanha e do processo eleitoral em outubro passado.
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