Supremo brasileiro apoia juiz sobre ligações a banqueiro em domiciliária
- 23/01/2026
A presidência do mais alto tribunal do Brasil publicou dois comunicados quase consecutivos, um na noite de quinta-feira e outro na manhã de hoje, em defesa de Toffoli, que assumiu a investigação do caso do Banco Master, uma instituição financeira liquidada em novembro de 2025 por ordem do Banco Central, devido a fraudes de grande dimensão.
O ministro das Finanças, Fernando Haddad, referiu-se ao caso --- que investiga a emissão de créditos falsos no valor de 12 mil milhões de reais (1,93 mil milhões de euros), afirmando que "pode tratar-se da maior fraude bancária" da história do Brasil.
A investigação decorre no Supremo Tribunal Federal (STF), em vez de na justiça comum, por decisão de Toffoli, com o argumento de que no caso estão envolvidas autoridades que beneficiam de foro privilegiado, razão pela qual também decretou o segredo de justiça.
Estas decisões levantaram suspeitas na imprensa, que nas últimas semanas tem revelado informações que ligam indiretamente Toffoli ao Banco Master, dirigido por Daniel Vorcaro, que se encontra em prisão domiciliária.
Uma das reportagens do portal Metrópoles revelou que a família de Toffoli vendeu um complexo hoteleiro de luxo no sul do Brasil, o Tayayá Aqua Resort, a um cunhado do banqueiro investigado, Fabiano Zettel, por cerca de 6,6 milhões de reais (1,06 milhões de euros).
No entanto, após essa venda, realizada em 2021, o juiz continuou a deslocar-se semanalmente ao complexo turístico, onde possui uma casa, segundo o mesmo portal.
Os registos das viagens foram confirmados com base em dados públicos sobre o pagamento de ajudas de custo à equipa de segurança que acompanha o juiz.
Num dos comunicados, a liderança do tribunal viu-se também obrigada a esclarecer o papel necessário desempenhado pela polícia judicial na proteção dos juízes, que são alvo de ameaças.
Para além do hotel de luxo, a imprensa revelou ainda que, poucos dias antes de assumir a investigação do caso, Toffoli esteve no mesmo avião privado, de um empresário, com um dos advogados do Banco Master, com destino a Lima, para assistir à final da Taça Libertadores.
O caso colocou igualmente sob escrutínio outro juiz do STF, Alexandre de Moraes, relator do processo que levou à condenação por tentativa de golpe de Estado do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a imprensa, o escritório de advogados da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, assinou em 2024 um contrato com o Banco Master no valor de 129 milhões de reais (cerca de 20,7 milhões de euros).
Para além do âmbito do STF, o caso pode também afetar políticos, uma vez que o Banco Master vendeu parte da sua carteira de crédito ao BRB, banco público controlado pelo Governo do Distrito Federal de Brasília, que poderá sofrer perdas milionárias.
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