Sobreviveu a tragédia na Suíça e não pensa no futebol: "Estou vivo..."
- 05/02/2026
Tahirys dos Santos, o jovem jogador da equipa B do Metz que ficou gravemente ferido no incêndio na discoteca em Crans-Montana, na Suíça, concedeu à conhecida revista francesa Paris Match, esta quinta-feira, aquela que foi a sua primeira grande entrevista depois da tragédia em plena noite de passagem de ano.
O jovem jogador, que teve queimaduras em 30 por cento do corpo, nomeadamente na parte de trás do crânio, foi inicialmente hospitalizado em Sion, na Suíça, antes de ser transferido para Estugarda, na Alemanha, seguindo-se uma mudança para a cidade de Metz a 7 de janeiro último, há cerca de duas semanas. Por lá permanece internado na unidade de queimados do Hospital Mercy a recuperar das graves queimaduras que sofreu.
"Sinto-me muito melhor desde o primeiro dia. Ainda tenho queimaduras nos braços, nas mãos, no rosto e também nas costas", começou por dizer o jovem de 19 anos, que tem nacionalidade francesa e cabo-verdiana, antes de recordar o que aconteceu na discoteca em Crans-Montana.
"Chegámos por volta da 00h30-01h00. Descemos porque a Coline [namorada] queria ir à casa de banho. Então, acompanhei-a e aproveitei para ir também. Saí antes, dirigia-me para o primeiro andar e foi nesse momento que vi o fogo. Tudo aconteceu muito rápido, eu nem pensei direito. Fui direto procurar a Coline, chamei por ela, ela estava na casa de banho, e saímos a correr pelas escadas. E depois disso, só sei que apaguei, não me lembro de mais nada. Ouvia muitos gritos, havia uma multidão em movimento, toda a gente corria para a saída e só havia as escadas. Formou-se uma aglomeração. Chamei-a na casa de banho e ela não fez perguntas, veio imediatamente. Ela contou-me que viu nos meus olhos que algo estranho estava a acontecer", referiu o jogador do Metz B.
"Não me lembro por onde saí, mas quando estava lá fora, sentei-me no chão e não sabia se a Coline estava bem, nem se os meus amigos estavam vivos ou mortos. Só queria encontrar os meus amigos, saber onde estavam. Mas estava como que paralisado. Não conseguia mexer-me. Estava muito preocupado com os meus amigos. Não sabia se eles tinham conseguido sair ou não. Gritava os nomes deles, mas não obtinha resposta. Nada. Até que o meu amigo Eliott me encontrou e chamou pessoas para me carregarem, para me levarem para um local onde estavam todos os feridos e, depois, os bombeiros, todos eles, cuidaram de nós muito rapidamente", recordou ainda.
Tahirys dos Santos contou ainda que foi rapidamente transportado para o hospital e que não sentia qualquer tipo de dores depois das queimaduras. O jogador referiu também que esteve sem notícias sobre a namorada durante três dias.
"Eu não sentia, por exemplo, as minhas costas. Foi onde fiquei mais ferido, mas não era onde sentia mais dor. Era principalmente nas minhas mãos, porque eu as via. E acho que foi por isso que senti tanta dor. Não tive notícias da Coline. Não sabia onde ela estava. Só tive notícias dela três ou quatro dias depois. Foram os pais dela que me enviaram uma mensagem", sustentou.
O jogador diz não querer pensar no regresso ao futebol, até porque, segundo o próprio, o mais importante é ter ficado vivo depois desta tragédia que provocou a morte a 41 pessoas.
"No início, não quis olhar [ao espelho] para não me preocupar, mesmo sabendo que o meu rosto tinha sido atingido e que me tinham cortado o cabelo. Não quis ver-me diretamente. Eu disse a mim mesmo: 'Estou vivo, isso é o mais importante. A aparência física vem depois'. Não estou muito concentrado no futebol. O mais importante é recuperar bem. Estou concentrado primeiro na minha reabilitação para voltar a usar bem as mãos, voltar a andar bem e depois veremos, veremos mais tarde", finalizou.














