Sobrevivente do Holocausto pede no Parlamento Europeu que se protejam crianças

  • 27/01/2026

Numa sessão extraordinária do Parlamento Europeu (PE), no Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, Tatiana Bucci recordou uma noite no final de março de 1944, quando, com apenas seis anos de idade e a irmã com quatro, foi acordada à pressa pela mãe.

 

"Tinham vindo prender-nos. A minha mãe vestiu-me a mim e à minha irmã e a primeira coisa que eu recordo vivamente dessa noite foi que, quando entrámos na sala, vi a minha avó de joelhos diante do chefe da operação a pedir para deixar que as crianças ficassem em casa. Estava eu, a minha irmã e o meu primo Sergio", lembrou.

Da cidade de Fiume (atualmente Rijeka, na Croácia), onde viviam, Tatiana foi levada com a sua família até à estação central de Trieste, onde entrou num "comboio um bocadinho especial, com vagões para animais", que a levaria até ao campo de concentração nazi de Auschwitz-Birkenau, localizado na Polónia ocupada.

"O comboio para, as portas abrem-se e começamos a descer do comboio. Chegámos à famosa Judenrampe [rampa para judeus]", referiu, recordando que, nesse mesmo momento, seria separada da avó, assassinada logo a seguir numa câmara de gás, e que só não acompanhou porque foi vista pelo infame médico nazi Josef Mengele, conhecido como "Anjo da Morte" por fazer experiências com prisioneiros.

"O senhor Mengele tinha-nos confundido com gémeas e, por isso, podíamos ser úteis para as suas experiências. Por isso é que escapámos a esta primeira seleção, e o mesmo aconteceu com Sérgio: parece que Mengele era muito sensível à beleza e ele era um belíssimo rapaz", disse.

Depois de lhe ser tatuado um número no braço -- o da mãe era o 76.482, recordou --, Tatiana é encaminhada com a irmã, Andra, e Sergio para o "barracão dos gémeos", onde, pela primeira vez, se apercebe de que é judia.

"Percebi que era judia porque sentia, ou ouvia, as poucas mulheres que ali estavam a tomar conta de nós a chamarem-nos assim. Era hebraica e nós, hebreus, tínhamos de ter aquela vida, diziam-nos. Uma vida que era uma morte", disse.

Dos cerca de 10 meses que ficou em Birkenau, 'Tati' recorda precisamente um dia de novembro de 1944 em que lhe avisaram que alguém lhe iria perguntar se queria ir ter com a mãe, sendo imediatamente alertada para que dissesse que não.

"Mas o Sergio, quando lhe perguntaram, não resistiu, talvez porque estava sozinho. E foi. Partiu com outros 19 rapazes e raparigas", disse.

Encaminhado para um campo de concentração perto de Hamburgo, Sergio seria sujeito a experiências e acabaria "barbaramente assassinado", "preso em ganchos do talho", em 20 de abril de 1945, menos de um mês antes de a Alemanha se render às forças aliadas, conforme veio a saber mais tarde Tatiana Bucci.

Em Birkenau, Tatiana e Andra foram "vivendo à sua própria sorte" até serem libertadas pelas tropas da União Soviética, enviadas para a Checoslováquia e, mais tarde, para Inglaterra, onde viriam a descobrir que os pais estavam vivos, voltando a reencontrar-se com eles em dezembro de 1946 -- mais de dois anos depois de terem sido detidas.

Agora, mais de 80 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, Tatiana Bucci disse gostar que "todas as crianças do mundo, porque morrem em todo o lado, e fala-se pouco de África, para dar apenas um exemplo, possam ter a vida" que ela própria teve depois da guerra.

"Já não sou pequenina agora, já tenho mais de 80 anos e gostaria que todas as crianças do mundo possam ser velhas como eu sou velha hoje", disse, emocionada, antes de os eurodeputados cumprirem um minuto de silêncio em memória das vítimas do Holocausto.

A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, num breve discurso nesta sessão, salientou que o Holocausto "não foi algo que aconteceu de um dia para o outro", mas "passo a passo, lei a lei, comboio a comboio".

"Os direitos foram retirados, as vidas reduzidas a números e o silêncio permitiu que o mal se espalhasse sem contestação", disse, defendendo que isso "nunca mais pode voltar a acontecer".

"É por isso que o Parlamento Europeu irá sempre recordar e falar [sobre o Holocausto]. A memória não é passiva, impõe-nos uma responsabilidade a todos", disse.

Leia Também: Museu do Holocausto critica Walz: "Frank foi assassinada por ser judia"

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2926977/sobrevivente-do-holocausto-pede-no-parlamento-europeu-que-se-protejam-criancas#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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