Setor dos plásticos pede medidas excecionais para retoma industrial
- 07/02/2026
"Se não forem tomadas medidas adequadas, o custo da inação será muito superior ao custo de uma intervenção pública atempada. Sem condições reais para a retoma da produção, assistiremos a encerramentos empresariais, perda de emprego e enfraquecimento estrutural do tecido industrial nacional", alerta o presidente da associação, Amaro Reis, citado em comunicado.
A APIP sublinha que, sem uma resposta rápida e eficiente, os efeitos não se limitarão às empresas afetadas, podendo causar encerramentos empresariais diferidos, perda de emprego direto e indireto, fragilização das cadeias de valor industriais, impacto negativo nas economias locais, redução das exportações e aumento da pressão sobre os sistemas de proteção social.
Neste contexto, apela para "uma intervenção pública coordenada e excecional, envolvendo os núcleos empresariais locais e assegurando articulação clara e célere entre todos os ministérios relevantes", incluindo os Ministérios da Economia, da Coesão Territorial, do Estado e das Finanças, e do Ambiente e Energia.
Sobre os apoios públicos para a recuperação do tecido empresarial, alerta que os instrumentos financeiros disponíveis, como linhas de crédito do Banco Português de Fomento, apresentam limitações em contexto de destruição de ativos e instabilidade energética, aumentando o risco de insolvência.
Para recuperar a produção, defende apoios não reembolsáveis como mecanismos de adiantamento de liquidez, linhas de crédito com carência longa e juros bonificados, e instrumentos mistos combinando apoio direto e financiamento.
Face à gravidade dos danos, a associação considera "indispensável" ativar mecanismos europeus para catástrofes naturais e mobilizar fundos da União Europeia, de forma a reforçar a capacidade financeira do Estado e acelerar a recuperação.
A APIP recorda que a destruição das infraestruturas elétricas tem causado microcortes frequentes e paragens industriais, pelo que considera "essencial que o Governo solicite apoio imediato junto de entidades europeias, sobretudo de Espanha e França, com o objetivo de agilizar e acelerar a reposição da rede elétrica e reduzir o tempo de paralisação industrial".
Sobre os seguros, a associação defende que as companhias adotem uma postura colaborativa, celeridade nas peritagens e decisões rápidas quanto à cobertura dos danos, em coordenação com o Governo e entidades financeiras.
"O que está em causa não é apenas a retoma de algumas empresas, mas a preservação do tecido industrial, do emprego e da capacidade produtiva nacional. Sem instrumentos excecionais, muitas empresas não vão sobreviver", conclui Amaro Reis.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.














