"Seria muito imprudente" a UE adotar medidas de retaliação contra os EUA
- 20/01/2026
O presidente americano Donald Trump continua a dizer que quer assumir o controlo da Groenlândia, um território autónomo dinamarquês, e ameaçou com sobretaxas aduaneiras os países que se opusessem a esta anexação. A UE está a ponderar medidas de retaliação.
"O presidente (Trump) vê a Groenlândia como um ativo estratégico para os Estados Unidos. Não vamos subcontratar a segurança do nosso hemisfério a outro", acrescentou Scott Bessent, numa conversa com os jornalistas antes da abertura do Fórum Económico Mundial, em Davos.
Questionado sobre uma mensagem de Donald Trump ao primeiro-ministro norueguês, na qual o presidente americano parece ligar a sua reivindicação sobre a Groenlândia ao facto de não ter recebido o Prémio Nobel da Paz, Scott Bessent respondeu que não sabia "nada sobre a carta do presidente" ao chefe do Executivo da Noruega.
Mas "acho que é absurdo afirmar que o presidente faria isso por causa do Prémio Nobel", acrescentou.
Nesta mensagem, o presidente americano indicou que já não precisava de pensar "apenas na paz" após não ter ganho o Prémio Nobel, considerando que o mundo não estaria seguro enquanto este território não estivesse sob o controlo dos Estados Unidos.
Donald Trump lançou uma campanha intensa para ganhar o Prémio Nobel da Paz no ano passado, pelos seus esforços que considera terem posto fim a oito guerras.
Mas, o prémio foi atribuído à opositora venezuelana Maria Corina Machado, que se deslocou a Oslo no mês passado, no dia seguinte à entrega do prémio, depois de ter fugido da Venezuela de barco.
Mais tarde, interrogado por alguns jornalistas, incluindo da agência de notícias AFP, sobre a possibilidade de um acordo que não envolvesse a compra da Gronelândia, Scott Bessent alertou: "tomaria as palavras do presidente Trump ao pé da letra agora mesmo". "Como é que os Estados Unidos conseguiram o canal do Panamá? Nós comprámo-lo aos franceses", observou. "Como é que os Estados Unidos conseguiram as Ilhas Virgens? Nós comprámo-las aos dinamarqueses", que, segundo ele, temiam "desagradar aos alemães" durante a Primeira Guerra Mundial.
"E se um dia eles temessem irritar os chineses?", continuou o secretário norte-americanos sobre a Dinamarca. "Eles já autorizaram atividades mineiras chinesas na Gronelândia, não?", questionou.
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