"Seria injusto o Vitória SC não ir, pelo menos, a penáltis com Sporting"
- 09/01/2026
Nos quatro clássicos do Minho que disputou, referentes aos campeonatos de 1985/86 e de 1986/87, o antigo ponta de lança brasileiro perdeu na estreia, em Braga, por 1-0, e venceu as restantes três partidas, somando 'hat-tricks' nos desafios realizados em Guimarães.
"Naquela década de 80, principalmente naquela época em que eu estava no Vitória, estávamos bem superiores ao Braga. A equipa fez melhores campeonatos. Nos confrontos diretos esteve mais forte", disse à Lusa o autor de 60 golos em 76 jogos oficiais pelo clube da 'cidade berço'.
Dianteiro do plantel vitoriano de 1985/86, treinado por António Morais, que foi quarto classificado da I Liga, e do de 1986/87, orientado pelo brasileiro Marinho Peres, que obteve o terceiro lugar, Paulinho Cascavel bateu por três vezes o guarda-redes Hélder Catalão nos triunfos por 4-0, a abrir a segunda volta de 1986/87, e por 5-3, em 1985/86, jogos de que bem se lembra.
"Nos dois jogos em casa, a equipa esteve muito bem. No 5-3, ainda tivemos um 'susto', porque estávamos a ganhar por 5-0. Em menos de um quarto de hora, o Braga fez três golos. A massa associativa não gostou muito, mas o que marca a história é o resultado final. Tive a felicidade de marcar seis golos nos dois jogos [em casa]", recordou.
Melhor marcador do principal campeonato português em duas ocasiões, pelo Vitória, em 1986/87 (22 golos), e pelo Sporting, em 1987/88 (23), Paulinho também se lembra perfeitamente de um falhanço clamoroso em Braga, ao desviar a bola para a trave a um metro da linha de golo, num desafio que a sua equipa até venceu, por 1-0, com um golo de Adão, na abertura da época 1986/87.
As memórias vívidas desses clássicos advêm do facto de o Sporting de Braga ser o principal rival do emblema de Guimarães e de as vitórias nesses jogos "serem muito saborosas", admitiu.
Ciente de que o clube 'arsenalista' cresceu no século XXI e se habituou a terminar os campeonatos à frente do Vitória, o antigo goleador realça que o Sporting de Braga se apurou merecidamente para a final, ao derrotar o Benfica (3-1), na meia-final, assim como a equipa 'preta e branca', que venceu o Sporting com uma reviravolta tardia na terça-feira (2-1).
"Seria injusto o Vitória não ir pelo menos ao empate e aos penáltis. Teve a sorte no final do jogo. É difícil acontecer dois golos em tão poucos minutos, ainda para mais no finalzinho. As duas equipas ganharam bem. Vai ser um bom jogo. Estes jogos 'mata-mata', como diria o Felipão [Luiz Felipe Scolari], têm características diferentes, ainda para mais sendo um dérbi, um clássico", realçou.
À espera de assistir ao jogo pela televisão a partir do Brasil, num dia em que tem viagens marcadas, o jogador que passou ainda por FC Porto e Gil Vicente vai apoiar o Vitória, formação, a seu ver, capaz de conquistar um título inédito.
"Acredito que a massa adepta do Vitória apareça em maior número. Vai sempre com o Vitória onde a equipa vá. Vai ser um grande jogo. Espero que o Vitória tenha a sorte do jogo novamente. É sempre ganhar um título. Não é o principal do país, mas é o terceiro. Tem tudo para fazer um bom jogo e ganhar", resumiu.
O Vitória de Guimarães, vencedor de uma Supertaça e de uma Taça de Portugal, e o Sporting de Braga, com três edições da Taça de Portugal e três da Taça da Liga, protagonizam uma final inédita nas competições nacionais no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, no sábado, às 20:00, com arbitragem de Hélder Malheiro, da associação de Lisboa.













