"Seria ilusório acreditar que a guerra pode terminar dividindo a Ucrânia"
- 14/02/2026
Zelensky comparou a situação criada pela atual invasão russa com a que viveu a Europa com a invasão da Checoslováquia pela Alemanha nazi, nas vésperas da II Guerra Mundial (1939/1945).
"Seria ilusório acreditar que a guerra pode terminar de forma real dividindo a Ucrânia, tal como foi ilusório acreditar que sacrificar a Checoslováquia salvaria a Europa de uma grande guerra", declarou Zelenski ao intervir na Conferência de Segurança de Munique (sul da Alemanha), iniciada sexta-feira e que se prolonga até domingo.
Zelensky aludia à exigência da Rússia de que o país invadido lhe ceda toda a região do Donbass, incluindo o território que ainda não controla em Donetsk para pôr fim ao conflito.
O Presidente ucraniano reafirmou que a Ucrânia está disposta a fazer tudo o que for possível para que as negociações de paz impulsionadas pelos Estados Unidos tenham sucesso, e confirmou que pretende reunir-se ainda hoje em Munique com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para discutir o processo de fim da guerra.
Zelensky lamentou, porém, a lentidão das decisões políticas necessárias para conter os ataques russos contra a Ucrânia.
"Nesta guerra, as armas estão a evoluir mais rápido do que as decisões necessárias para detê-las", afirmou, enfatizando que os drones 'Shahed', de fabrico iraniano e utilizados por Moscovo, estão a tornar-se cada vez mais letais à medida que o conflito, prestes a completar cinco anos, se arrasta.
Por outro lado, Zelensky reafirmou que está disposto a convocar imediatamente eleições, como lhe pediu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se houver um cessar-fogo e lhe for garantida segurança para realizá-las.
"Deem-nos dois meses de cessar-fogo e iremos a eleições. É tudo", disse Zelensky quando questionado sobre este assunto.
A Conferência de Segurança de Munique, cuja 62,ª edição começou na sexta-feira e vai até domingo, é considerada o principal encontro mundial de especialistas em políticas de segurança, em que estão presentes mais de 60 líderes mundiais e cerca de 100 ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa.
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