Sentença de ex-magnata da imprensa equivale a "pena de morte"

  • 09/02/2026

"A pesada pena de 20 anos de prisão imposta a Jimmy Lai, de 78 anos, equivale, na prática, a uma sentença de morte", afirmou a Human Rights Watch.

 

"A pena de prisão imposta a Jimmy Lai é um ataque premeditado à liberdade de expressão que ilustra perfeitamente o desmantelamento sistemático dos direitos que outrora caracterizavam Hong Kong", escreveu, pelo seu lado, a Amnistia Internacional, num comunicado.

Já a família de Jimmy Lai classificou a pena como "draconiana" e "cruel".

"Condenar o meu pai a esta pena de prisão draconiana é devastador para a nossa família e coloca a sua vida em perigo. Isto marca a destruição total do sistema judicial de Hong Kong e o fim da justiça", reagiu Sebastien Lai, um dos filhos, num comunicado divulgado pela família do magnata pró-democracia.

A filha Claire lamentou, por sua vez, uma pena "cruel", tendo em conta a saúde em declínio de Jimmy Lai na prisão.

Se Jimmy Lai cumprir a pena, "morrerá como mártir atrás das grades", acrescentou.

Jimmy Lai, um antigo operário têxtil que se tornou magnata da imprensa e fundador do entretanto extinto Apple Daily em Hong Kong, passará os últimos anos de vida na prisão, depois de ter sido condenado hoje a 20 anos de prisão efetiva por conspiração com forças estrangeiras e publicação de material sedicioso.

Jimmy Lai, que enfrentava uma pena máxima de prisão perpétua, recebeu uma sentença que expira em 2044, a menos que beneficie da redução da pena.

Nascido em 1947 em Cantão, Lai chegou a Hong Kong ainda criança e começou a trabalhar numa fábrica têxtil, onde ascendeu a gerente antes de iniciar o próprio negócio.

Em 1981, fundou a cadeia de roupas Giordano, que se expandiu pela Ásia e outros mercados, embora no início dos anos 90 tenha começado a dedicar-se à comunicação social.

O primeiro passo foi em 1990, quando fundou uma empresa de comunicação social com a qual lançou a Next Magazine, que desde o início criticou Pequim, combinando sensacionalismo com análises políticas e económicas.

Cinco anos depois, à medida que se aproximava a devolução de Hong Kong à China, Jimmy Lai criou o Apple Daily, um jornal que rapidamente ganhou popularidade e se tornou o segundo mais lido no território.

O Apple Daily não só refletiu as preocupações da sociedade de Hong Kong num momento de transição política, como também desempenhou um papel crucial na promoção da agenda pró-democracia, consolidando-se como um bastião da imprensa livre numa região cada vez mais vigiada por Pequim.

As manifestações antigovernamentais de 2019 em Hong Kong, inicialmente convocadas contra um projeto de lei de extradição, colocaram Jimmy Lai no centro do debate público.

O Apple Daily deu ampla cobertura às manifestações e adotou uma linha editorial crítica em relação às autoridades de Hong Kong e Pequim.

Segundo a acusação, o jornal publicou artigos que incentivaram a mobilização e fizeram parte de uma alegada estratégia para promover sanções internacionais contra a cidade e o Governo central em Pequim. A acusação sustentou ainda que Lai atuou como apoio a iniciativas de pressão externa ligadas ao ativismo de Hong Kong.

A defesa defendeu que a abordagem jornalística se enquadrou no direito à liberdade de expressão, e negou que tivesse constituído uma incitação à sedição ou estivesse coordenada com terceiros.

A entrada em vigor da Lei de Segurança Nacional em 2020 transformou o ambiente mediático e político da cidade e Lai definiu a regulamentação, imposta por Pequim após os protestos em larga escala, como uma "sentença de morte para Hong Kong".

A lei suscitou condenação internacional por criminalizar a dissidência e a colaboração com "agentes estrangeiros" em questões relacionadas com direitos humanos.

Nos meses seguintes, Lai foi detido várias vezes e o seu grupo editorial ficou sob crescente escrutínio. Em junho de 2021, após uma rusga policial e o congelamento de ativos, o Apple Daily fechou portas.

Na altura, era apresentado pelos meios de comunicação oficiais como uma publicação instigadora dos distúrbios de 2019. Já a sua defesa insistia que o jornal exercia o jornalismo dentro dos limites legais.

Jimmy Lai permanece numa prisão de segurança máxima desde a detenção em dezembro de 2020 e cumpre também uma pena de cinco anos e nove meses por fraude num caso diferente.

Leia Também: Direitos humanos: HRW pede novas políticas de segurança pública no Brasil

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2935756/sentenca-de-ex-magnata-da-imprensa-equivale-a-pena-de-morte#utm_source=rss-ultima-hora&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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