Senadores pedem mais sanções para pressionar Rússia nas negociações
- 18/02/2026
Foi a primeira vez que senadores norte-americanos visitaram Odessa, a terceira cidade mais populosa da Ucrânia e um porto economicamente crucial no mar Negro, que tem sido particularmente visado pela Rússia, desde o início da guerra, há quase quatro anos.
Os senadores democratas Jeanne Shaheen, Chris Coons, Richard Blumenthal e Sheldon Whitehouse fizeram a viagem. O senador republicano Thom Tillis tinha planeado participar, mas não pôde comparecer por motivos pessoais, noticiou a agência Associated Press (AP).
"Uma das coisas que ouvimos em todas as paragens que fizemos hoje foi que o povo da Ucrânia quer um acordo de paz, mas quer um acordo de paz que preserve a sua soberania, que reconheça a importância da integridade da Ucrânia", sublinhou Shaheen numa teleconferência com jornalistas.
A visita e a pressão para que o Congresso norte-americano aprove sanções contra a Rússia ocorrem num momento crucial do conflito.
Delegações de ambos os lados também se reuniram na Suíça para dois dias de negociações mediadas pelos EUA, mas nenhum dos lados pareceu disposto a ceder em questões-chave como o território e as futuras garantias de segurança.
Os senadores esperam que as sanções pudessem levar Putin a um acordo de paz, uma vez que os EUA estabeleceram um prazo até junho para a resolução do conflito.
"Literalmente ninguém acredita que a Rússia esteja a agir de boa-fé nas negociações com o nosso governo e com os ucranianos", vincou Whitehouse.
Ainda assim, a legislação para impor sanções severas à Rússia está parada no Congresso há meses.
Entre as medidas propostas está um projeto de lei abrangente que permitiria à administração Trump impor tarifas e sanções secundárias aos países que compram petróleo, gás, urânio e outras exportações russas, que são cruciais para o financiamento das Forças Armadas da Rússia.
Quando regressarem aos EUA, os senadores garantiram que irão detalhar como as empresas norte-americanas com sede na Ucrânia foram atacadas pela Rússia.
Os democratas esperam também pressionar Trump para que envie mais armas para a Ucrânia.
"Putin percebe de armas, não de palavras", vincou Blumenthal.
No terreno, o Exército ucraniano conquistou 63 quilómetros quadrados de território do Exército russo entre quarta-feira e domingo, segundo uma análise da agência France-Presse (AFP) com base em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), enquanto observadores militares russos relataram uma interrupção nas antenas Starlink utilizadas por Moscovo na frente de batalha.
Especificamente, a Ucrânia recapturou 91 quilómetros quadrados, incluindo 86 quilómetros quadrados numa área a aproximadamente 80 quilómetros a leste da cidade de Zaporíjia, onde as tropas russas têm feito progressos significativos desde o Verão de 2025.
Ao mesmo tempo, o Exército russo capturou 28 quilómetros quadrados noutras secções da frente, dando à Ucrânia um ganho territorial líquido total de 63 quilómetros quadrados.
As forças de Kyiv não tinham recapturado tanto território em tão pouco tempo desde a contraofensiva de junho de 2023.
Em janeiro, o Exército russo avançou 319 quilómetros quadrados.
"Estes contra-ataques ucranianos estão provavelmente a aproveitar o bloqueio do acesso das forças russas ao Starlink, que, segundo os bloggers militares russos, está a interromper as comunicações e o comando", segundo o ISW, que colabora com o Critical Threats Project, outro 'think tank' norte-americano.
Em 05 de fevereiro, os observadores militares russos já tinham dado conta desta interrupção após anúncios de Elon Musk sobre medidas para acabar com o uso desta tecnologia pelo Kremlin.
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