Semana "complicada": O que deve (ou não) fazer a partir de domingo
- 30/01/2026
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) enviou esta sexta-feira às redações um aviso à população devido ao "agravamento do estado do tempo em Portugal", previsto pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), para a próxima semana.
Semana será "muito chuvosa"
Na nota, a autoridade dá conta de "períodos de chuva, por vezes forte, ocasionalmente de granizo e acompanhada de trovoada, nas regiões Norte e Centro; vento forte, com rajadas até 80 km/h no litoral oeste e até 100 km/h nas terras altas; agitação marítima forte na costa ocidental, com ondas de noroeste até oito metros, podendo atingir os 15 metros de altura máxima; queda de neve nas terras altas do Norte e Centro".
Possibilidade de inundações em zonas urbanas
A ANEPC realça também as informações transmitidas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA) quanto às bacias hidrográficas no território nacional, alertando que há a "possibilidade de inundações urbanas nas zonas onde a precipitação será mais intensa" entre os dias 30 e 31 de janeiro e 1 e 2 de fevereiro.
A APA nota também que, no mesmo período de tempo, as seguintes bacias hidrográficas deverão ter "caudais superiores aos habituais", havendo também aí a "possibilidade de inundações urbanas": o rio Minho, sub-bacia do Coura; rio Cávado; rio Ave; rio Sousa; rio Mondego; rio Vouga; rio Águeda, rio Lima, sub-bacia do Vez; rio Douro, rio Tâmega; rio Zêzere; rio Tejo; rio Nabão; Sorraia; e Sado.
O que a Proteção Civil prevê que possa acontecer
Tendo em conta as previsões do IPMA e da APA, e também o estado do território atualmente, a ANEPC prevê, a partir da tarde de domingo, 1 de fevereiro:
- A ocorrência de inundações em zonas urbanas, causadas por acumulação de águas pluviais por obstrução dos sistemas de escoamento ou por galgamento costeiro;
- A ocorrência de cheias, potenciadas pelo transbordo do leito de alguns cursos de água, rios e ribeiras;
- A instabilidade de vertentes, conduzindo a movimentos de massa (deslizamentos, derrocadas e outros) motivados pela infiltração da água, fenómeno que pode ser potenciado pela remoção do coberto vegetal na sequência de incêndios rurais, ou por artificialização do solo;
- Piso rodoviário escorregadio devido à possível formação de lençóis de água ou à acumulação de gelo e/ou neve;
- Possíveis acidentes na orla costeira, devido à forte agitação marítima;
- Arrastamento para as vias rodoviárias de objetos soltos, ou ao desprendimento de estruturas móveis ou deficientemente fixadas, por efeito de episódios de vento forte, que podem causar acidentes com veículos em circulação ou transeuntes na via pública;
- Desconforto térmico na população devido ao aumento da intensidade do vento.
O que deve fazer para se proteger e aos seus bens
Para evitar que os efeitos do mau tempo causem ainda mais prejuízos e feridos do que aqueles que foram provocados pela depressão Kristin, a ANEPC aconselha a:
- Garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas;
- Garantir uma adequada fixação de estruturas soltas, nomeadamente, andaimes, placards e outras estruturas suspensas;
- Ter especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas, estando atento para a possibilidade de queda de ramos e árvores, em virtude de vento mais forte;
- Evitar o estacionamento de veículos em áreas arborizadas;
- Fechar e reforçar estores e janelas, em especial os que estão virados na direção do vento;
- Recolher estruturas exteriores para evitar que sejam arrastados;
- Fixar objetos no exterior e de varandas e parapeitos, como vasos, mobiliário de jardim ou outros;
- Ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis a galgamentos costeiros, evitando a circulação e permanência nestes locais;
- Não praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, evitando ainda o estacionamento de veículos muito próximos
da orla marítima; - Adotar uma condução defensiva, reduzindo a velocidade e tomando especial atenção à eventual acumulação de neve e/ou formação de lençóis de água nas vias rodoviárias.
Quanto à circulação nas estradas em situações de mau tempo, nomeadamente em casos de neve, a ANEPC que se adotem as seguintes medidas:
- Verificação do estado dos pneus e respetivas pressões;
- Transporte e colocação das correntes de neve nos veículos;
- Assegurar o abastecimento de combustível em níveis que permitam percorrer trajetos alternativos ou a permanência do veículo em funcionamento por longos períodos de tempo, em caso de retenção nas vias afetadas;
- Nos veículos elétricos, deve ser verificada a carga da bateria e analisada a
existência de postos de carregamento no seu itinerário; - Garantir que os sistemas de aquecimento dos veículos se encontram em bom estado de funcionamento;
- Providenciar alimentos adequados em quantidade e características, assim como medicamentos, de acordo com o número e tipologia de ocupantes dos veículos.
Para além disso, deve ainda:
- Nas vias afetadas pela acumulação de neve, evitar viagens com crianças, idosos ou pessoas com necessidades especiais;
- Evitar circular naquelas vias com veículos pesados, em particular articulados, veículos com reboque e veículos de tração traseira;
- Restringir ao máximo possível os movimentos de veículos e de pessoas apeadas, nas zonas potencialmente afetadas pela queda de neve;
- Evitar qualquer tipo de atividade próxima de linhas de água, em especial nas zonas com histórico de inundações;
- Não atravessar zonas inundadas, de modo a precaver o arrastamento de pessoas ou viaturas para buracos no pavimento ou caixas de esgoto abertas;
- Retirar das zonas normalmente inundáveis animais, equipamentos, veículos e/ou outros bens para locais seguros;
- Estar atento às informações da meteorologia e às indicações da Proteção Civil e Forças de Segurança.
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