Seguro, Ventura e o caminho tempestuoso para Belém: Como foi a campanha?
- 06/02/2026
Portugal enfrenta mudanças em várias frentes, quer em termos meteorológicos, quer em termos de política nacional. Os últimos dias têm sido devastadores para o país, que ainda tem milhares de pessoas às escuras devido ao "comboio de tempestades" que tem deixado um rasto de destruição. O fenómeno surgiu no meio de uma outra agitação para o país: as Presidenciais.
O alvoroço começou a levantar-se durante a campanha para a 1.ª volta, cujo fim, a 18 de janeiro, confirmou a poeira que as sondagens lançaram no ar: Portugal tem de ir às urnas para uma 2.ª volta, 40 anos depois da primeira e única vez que aconteceu.
Mas, se em 1986 as eleições se tornaram históricas também pela elevada participação dos eleitores, que se situou nos 79,6%, a ida às urnas no domingo, 8 de fevereiro, não contará com o voto de todos aqueles que queriam votar - e a culpa é das tempestades que deixaram um rasto de destruição em várias zonas do país.
Esquerda não hesitou em apoiar Seguro, Direita foi cedendo
Um dos pontos que começou por marcar esta segunda ronda da campanha eleitoral foram os apoios. Face aos resultados na noite eleitoral, que colocaram António José Seguro e André Ventura num frente a frente, a Esquerda não hesitou, logo nas primeiras horas, em declarar apoio a Seguro. Fossem ex-candidatos presidenciais, partidos políticos ou assim como 250 figuras "não-socialistas", a escolha não deixou margem para dúvida: o voto será Seguro.
Já à Direita, os apoios a Seguro foram dados com maior timidez. Apesar de figuras à Direita demonstrarem o seu apoio, os candidatos que ficaram pela 2.ª volta demoraram mais.
Luís Marques Mendes, João Cotrim Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo não demonstraram o seu apoio a nenhum candidato nos seus discursos de derrota, mas ao longo do tempo foram-se revelando. Marques Mendes foi o primeiro, a 22 de janeiro, a dizer que por "razão de coerência", apoiaria Seguro. Seguiu-se Cotrim Figueiredo, que no dia seguinte disse que "não votaria em Ventura", não revelando se o seu voto seria em branco ou Seguro. Já no dia 29, Gouveia e Melo apontou que seria para Seguro que ia "o seu voto útil."
Após apoios, Kristin e a mudança na agenda
No final do mês chegou então aquele que seria o evento que mudaria os planos dos candidatos a Belém, que, já tendo agenda marcada, a reformularam após destruição em várias zonas do país.
O fenómeno mudou mesmo, de acordo com o que disse, esta sexta-feira, Ventura, "a forma de fazer política". A segunda ronda da campanha começou por ficar então "marcada por fenómenos que assolaram o país, devastaram o país. Isso mudou completamente a campanha. Não haverá uma campanha que tenha sido marcada por isto. Mudou tudo", disse, no encerramento, junto aos bombeiros de Camarate.
Já Seguro, no passado dia 5, Seguro dizia que caso seja eleito Presidente, não deixará acabar o tema e quer uma avaliação sobre o que aconteceu porque, usando as palavras do ex-ministro Jorge Coelho sobre a queda da ponte de Entre-os-Rios, "a culpa não pode morrer solteira".
Entre dúvidas e cheias no país, "infelizmente, há eleições"
Os últimos dias de campanha foram então marcados com os dois candidatos a distanciarem-se ainda mais, nomeadamente, no que diz respeito à realização destas eleições.
No último dia de campanha eleitoral, e quando alguns municípios adiaram a votação por uma semana devido ao mau tempo, Seguro disse que não fará campanha nesses concelhos, enquanto Ventura acusou-o de "inutilidade" por defender a sua realização.
Se, por um lado, André Ventura, defendeu o adiamento geral da segunda volta das eleições presidenciais para meados de fevereiro, cenário que não tem respaldo legal, Seguro falou sobre o esclarecimento dado pela Comissão Nacional de Eleições, que indicou que a lei "não permite" o adiamento geral das eleições a nível nacional, como o seu opositor André Ventura tinha defendido. O candidato apoiado pelo Partido Socialista reiterou que "Portugal é uma República e é um Estado de direito e há leis".
Já esta esta sexta-feira, Ventura disse, depois de lembrar que há locais onde votos poderão ser recolhidos de barco, devido às cheias: "Nestas circunstâncias devíamos ter eleições ou não? Não, não devíamos ter, mas, infelizmente, vamos ter."
Os cidadãos elegem o próximo Presidente da República numa segunda volta depois de António José Seguro ter obtido na primeira volta 31,11% (1.755.563 votos) e André Ventura 23,52% (1.327.021 votos).
O vencedor do segundo sufrágio vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa, eleito em 2016 e que termina o segundo mandato em março.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados. A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos, que representam 17,1% da população residente em Portugal. No total da área afetada, estão inscritos 1.589.165 eleitores (14,4% do total) .
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