Seguro sugere alargamento de prazos do PRR para ajudar na reconstrução
- 30/01/2026
"Queria fazer uma sugestão ao Governo, se for possível, que no âmbito da negociação do PRR pudesse haver da parte da União Europeia o alargamento do prazo para a concretização de algumas obras que exigem construção civil", disse hoje António José Seguro aos jornalistas em Oliveira de Azeméis (distrito de Aveiro), após uma visita ao grupo industrial Simoldes.
Para o candidato presidencial, "neste momento é necessário libertar a capacidade de construção civil para acudir às pessoas que tiveram danos nas suas casas e também em termos de infraestruturas públicas e de arruamentos".
"Se for possível, eu penso que era uma boa ajuda que a União Europeia podia dar a Portugal", defendeu o candidato apoiado pelo PS, afirmando que a sua sugestão decorreu de "contactos e conversas" que tem mantido "com autarcas e empresários", sendo necessário "acudir com todos os instrumentos públicos e privados".
Questionado sobre se já transmitiu a sua sugestão ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, Seguro disse que não falou "absolutamente com ninguém do Governo", tendo dedicado o seu tempo a "falar com autarcas, com pessoas da proteção civil, da ação social, com bombeiros".
"Naturalmente, eu penso que o Presidente da República, e nem me passa pela cabeça, que o Presidente da República e o primeiro-ministro não tenham conversado, ou não tenham reunido, não tenham articulado posições", disse ainda.
António José Seguro lamentou que, em Portugal, "geralmente, quando há uma catástrofe, quando há uma tragédia, quando há um incidente, as pessoas falam muito enquanto o incidente está na agenda de mediática e depois esquecem-se a seguir de falar seriamente sobre a maneira como se deve responder em situações futuras para proteger as pessoas e proteger os bens".
"Eu direi que o país talvez não tenha feito a discussão séria e necessária para enfrentar situações como esta. Esta é uma catástrofe. E, portanto, o país tem que ter redundâncias, designadamente, no fornecimento de serviços básicos", defendeu, considerando também que "não houve uma consciência clara desde o primeiro minuto da devastação e das consequências desta catástrofe".
Já sobre se será necessário um plano de recuperação específico para as regiões afetadas, o candidato presidencial lembrou que "hoje houve uma reunião entre o Ministro da Coesão e os presidentes de câmara das zonas afetadas", não sabendo "quais as conclusões".
"Aquilo que me parece importante é que existam mecanismos, quer públicos, quer privados, para ajudar rapidamente a repor a situação de normalidade e ajudar as pessoas que, designadamente, em termos empresariais, ficaram com os seus projetos de negócio completamente destruídos. Isso é importante para criar riqueza e para manter postos de trabalho", concluiu.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Quedas de árvores e de estruturas, corte ou o condicionamento de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações foram as principais consequências materiais do temporal.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
O Governo decretou situação de calamidade entre as 00:00 de quarta-feira até às 23:59 de dia 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, número que pode aumentar.
A lista dos concelhos abrangidos não foi ainda divulgada.
[Notícia atualizada às 19h20]
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