Seguranças da AR cercaram jornalista? Aguiar-Branco fala numa queixa
- 28/01/2026
A Sábado noticiou que um jornalista da revista foi abordado no passado dia 20 por agentes da GNR, do corpo de segurança da Assembleia da República, e perguntaram-lhe por que questionava deputados, chamando em seguida um superior que "proibiu a continuação da reportagem sem autorização especial".
A Associação de Jornalistas Parlamentares (AJPAR) manifestou hoje preocupação face essa intervenção dos serviços de segurança da Assembleia da República, sublinhando que o jornalista estava credenciado e em local autorizado, e pediu esclarecimentos a Aguiar-Branco.
Numa resposta enviada aquela associação, o gabinete de José Pedro Aguiar-Branco referiu ter pedido esclarecimentos ao gabinete da secretária-geral da Assembleia da República, que é quem tem competência direta sobre os serviços de segurança do parlamento.
Segundo essa resposta, de acordo com a informação transmitida pela secretaria-geral e que também foi transmitida à revista Sábado, "o procedimento em causa teve origem numa queixa apresentada por um funcionário da Assembleia da República, relativa a um comportamento considerado suspeito e a uma abordagem entendida como pouco habitual a deputados que circulavam naquele espaço".
"A intervenção dos serviços de segurança decorreu dessa avaliação", lê-se na nota de Aguiar Branco aos representantes dos jornalistas parlamentares.
"Importa sublinhar, das informações prestadas ao gabinete, que esta situação não teve qualquer relação com grupos parlamentares, nem com qualquer intenção, que seria inaceitável, de condicionar ou impedir o exercício do trabalho jornalístico, o qual é plenamente reconhecido e valorizado no funcionamento democrático da Assembleia da República e pelo seu presidente, em particular", sustenta-se no mesmo documento.
Aguiar Branco reafirma a sua "total disponibilidade para dialogar com a Associação de Jornalistas Parlamentares e para promover encontros que permitam esclarecer situações e encontrar soluções que contribuam para melhorar, de forma contínua, as condições de trabalho dos profissionais da comunicação social no parlamento e a sua convivência com os funcionários e deputados".
Segundo a Sábado, o jornalista questionava, em local autorizado, deputados da bancada do PSD sobre em quem iriam votar na segunda volta das presidenciais, face à posição assumida pelo presidente do partido e primeiro-ministro, Luís Montenegro, de não dar indicação de voto.
De acordo com a descrição feita na edição online da revista, divulgada na terça-feira, um agente "informou o jornalista da Sábado que não podia continuar a fazer perguntas a deputados".
Os jornalistas parlamentares recordam que "desde os anos 90 do século passado, quando no caso conhecido como a "Guerra dos Corredores" existiu uma tentativa de limitar o acesso e permanência dos jornalistas nos corredores dos grupos parlamentares, ficou estabelecido que os jornalistas podem circular nesses espaços, o que tem acontecido com toda a tranquilidade e respeito pelas regras de boa convivência".
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