Se Putin e Zelensky não assinam acordo "serão estúpidos", diz Trump
- 21/01/2026
Discursando no Fórum Económico Mundial, em Davos, na Suíça, o Presidente dos Estados Unidos referiu que os homólogos russo, Vladimir Putin, e ucraniano, Volodymyr Zelensky, "chegaram a um ponto em que podem unir-se e fechar um acordo".
Se não o fizerem, advertiu, "serão estúpidos".
Dirigindo-se aos líderes políticos e económicos presentes em Davos, o líder da Casa Branca reiterou a necessidade de alcançar a paz para "salvar milhões de vidas", apesar de existir "um ódio tremendo" entre os dois países.
No entanto, Trump insistiu que os dois líderes querem chegar a um acordo e estão "razoavelmente perto" de o concretizar.
"Estou a lidar com o presidente Putin e acredito que ele quer chegar a um acordo. Estou a lidar com o presidente Zelensky e acredito que ele quer chegar a um acordo. Vou reunir-me com ele hoje. Talvez ele esteja na plateia agora", declarou no Fórum de Davos.
Trump anunciara previamente que se iria encontrar hoje com Zelensky, mas o líder ucraniano não se encontra na estância suíça, justificando a sua ausência com crise energética provocada pelos últimos ataques russos.
O enviado da Casa Branca, Steve Witkoff, tem um encontro marcado com Putin na quinta-feira em Moscovo, para retomar as conversações de paz sobre a Ucrânia.
Witkoff, que também se encontra hoje em Davos, viajará para Moscovo acompanhado por Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano e que também esteve presente no último encontro no Kremlin.
As negociações promovidas pelos Estados Unidos em contactos separados com representantes de Kiev e Moscovo têm sido bloqueadas por divergências das partes sobre o futuro dos territórios ocupados na Ucrânia e as garantias de segurança para prevenir uma nova agressão russa.
No seu discurso no Fórum Económico, Donald Trump defendeu também que cabe à NATO e à Europa "lidar com a Ucrânia", e não aos Estados Unidos.
"Quando falo da NATO, refiro-me à Europa. Eles é que têm de lidar com a Ucrânia, não nós. Os Estados Unidos estão muito longe", sustentou, adicionando que o seu país está separado da Europa por "um oceano imenso e belo" e que não tem "nada a ver" com este conflito, desencadeado pela invasão russa em fevereiro de 2022.
"O que é que os Estados Unidos ganham com todo este trabalho, todo este dinheiro, além da morte, da destruição e de somas colossais de dinheiro para pessoas que não gostam do que estamos a fazer?", questionou, referindo-se aos países da NATO e da Europa.
Além de se distanciar da guerra na Ucrânia, Trump atacou os aliados da NATO, acusando-os de "tratarem mal Washington" e de não contribuírem com nada em troca de segurança.
"Quero deixar isto bem claro. E, se pensarem bem, ninguém pode refutar. Damos muito e recebemos muito pouco em troca", observou o político republicano, que reclamou ter feito mais para apoiar a Aliança Atlântica do que qualquer outro presidente norte-americano.
Reafirmando a acusação de falta de compromisso financeiros dos aliados, Trump disse também que hoje a NATO não existiria se não se tivesse envolvido com a organização durante o seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021.
"Depois de darmos biliões e biliões de dólares em defesa à NATO e às nações europeias, eles compram as nossas armas. Nós fabricamos as melhores armas", comentou como um exemplo da forma como a pressão da sua administração está a mudar a Aliança Atlântica.
Nessa medida, reivindicou como uma conquista pessoal o compromisso dos aliados, no ano passado em Haia (Países Baixos), de dedicarem 5% dos respetivos Produtos Internos Brutos (PIB) às despesas militares.
"Consegui algo que ninguém dizia ser possível", observou ainda.
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