Santarém tem sido quase sempre o espelho dos resultados das Presidenciais
- 05/01/2026
A Pordata, base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, reuniu dados que ajudam a retratar a evolução histórica das eleições presidenciais em Portugal e descobriu que o distrito de Santarém ter sido sempre um espelho da votação global, com um padrão de voto sistematicamente semelhante ao resultado nacional.
Nas 10 eleições presidenciais ocorridas entre 1976 e 2021, o desvio de votos, em percentagem, de qualquer candidato, foi sempre inferior a cinco pontos percentuais naquele distrito, que é seguido neste 'ranking' particular por Porto e Castelo Branco, onde tal aconteceu em oito ocasiões.
Em sentido inverso, o distrito de Beja registou permanentemente um padrão de votos muito díspar do nacional, sempre com uma diferença, para algum candidato, superior a 10 pontos percentuais, em todas as eleições.
Neste estudo, que compila dados tão díspares como a abstenção ou inflacionamento dos cadernos eleitorais, a Pordata indica que o número de eleitores em território nacional aumentou 44% (de 6.477.484 nas primeiras, em 1976, para 10.864.327 nas últimas), um número que cresce para 70% ao serem incluídos os círculos do estrangeiro.
Os emigrantes passaram a poder votar a partir das eleições presidenciais de 2001 e, desde então, apenas por uma vez em cinco ocasiões não deram uma maior percentagem de votos ao candidato vencedor do que os residentes em território nacional.
A exceção foi a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2021, quando 61% dos residentes em Portugal escolheram o ainda Presidente da República, superando a votação dos emigrantes (53%).
Nos 50 anos de história de eleições presidenciais, as mais renhidas foram as de 1986, as únicas que tiveram uma segunda volta, na qual Mário Soares derrotou Freitas do Amaral por apenas 150.622 votos e por uma percentagem de 51,3% contra 48,7%.
Todos os presidentes eleitos para um primeiro mandato (Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa) foram reeleitos e todos, à exceção de Ramalho Eanes, tiveram uma maior percentagem de votos válidos na sua reeleição, com Mário Soares a ser quem mais cresceu, em 19 pontos percentuais.
Mas as eleições presidenciais não são feitas apenas de vencedores; entre aqueles que perderam, apenas quatro repetiram candidatura: Otelo Saraiva de Carvalho, Manuel Alegre, Marisa Matias e Vitorino Silva -- todos tiveram uma menor votação na segunda tentativa.
Os portugueses elegem o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa em 18 de janeiro, numas eleições com recorde (11) de candidatos e cuja segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.
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