Sanae Takaichi obtém larga maioria nas eleições para parlamento nipónico
- 09/02/2026
A proporção de votos obtidos pelo PLD representa uma maioria de pouco mais de dois terços da câmara, o que, na prática, dá 'carta branca' à conservadora para levar por diante as suas políticas sem depender de negociações no Parlamento, mesmo que as mesmas sejam rejeitadas pela Câmara Alta, onde a coaligação no governo, que integra o PLD e o Partido da Inovação do Japão (Ishin), está em minoria.
Com os 36 assentos obtidos pelo Ishin, a coligação obteve 352 assentos no total, de acordo com os números divulgados pela estação pública, e ainda na ausência da publicação oficial dos resultados pelo Ministério do Interior.
"Estas eleições representam uma grande vitória pessoal para Takaichi, que centrou a campanha eleitoral na decisão dos eleitores sobre se queriam que ela permanecesse como primeira-ministra", disse em declarações à agência EFE o professor Jeffrey J. Hall, especialista em estudos japoneses na Universidade de Estudos Internacionais de Kanda.
"A oposição de esquerda e de centro foi esmagada e levará anos para recuperar. A Câmara dos Representantes [câmara baixa do Parlamento nipónico] terá agora uma maioria esmagadora de direita", acrescentou o analista.
A coligação governante japonesa obteve 232 assentos nas eleições gerais anteriores, em novembro de 2024, dos quais 198 pertencentes ao PLD, na altura ainda aliado à formação budista Komeito, que abandonou a aliança no final do ano passado.
O Komeito formou recentemente, com vista a estas eleições gerais, uma aliança com a principal força da oposição, o Partido Democrático Constitucional (PDC), a chamada Aliança Reformista Centrista, que acabou por ser a grande perdedora deste domingo.
A aliança obteve 49 assentos nestas eleições, contra os 172 que os dois partidos conseguiram nas eleições anteriores.
A oposição passou de uma maioria de 233 assentos que obteve nas eleições gerais anteriores para 113.
O partido minoritário da atual coligação governamental, o Sanseito, destacou-se nesta campanha pela postura anti-imigração e lidera agora a extrema direita japonesa, tendo obtido 15 assentos parlamentares, contra dois que obteve nas eleições anteriores.
Entra também na câmara baixa de forma destacada, e pela primeira vez, o partido Team Mirai, criado por um engenheiro de inteligência artificial e defensor de reformas tecnológicas, que obteve 11 assentos.
O Partido Democrático para o Povo (PDP), que desempenhou um papel fundamental na nomeação de Ishiba como primeiro-ministro e surgiu como potencial parceiro do PLD, obteve 28 assentos, mais um do que no escrutínio anterior.
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