Rússia continuará ofensiva militar até Kyiv aceitar condições
- 04/02/2026
"Enquanto o regime de Kyiv não tomar a decisão adequada, a operação militar especial vai continuar", disse aos jornalistas o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.
O Kremlin declarou recentemente que uma das condições "muito importantes" seria a retirada das forças ucranianas das zonas que ainda controlam na região de Donbass, no leste da Ucrânia.
Enviados da Rússia e da Ucrânia deverão reunir-se em Abu Dhabi hoje para mais uma ronda de negociações mediadas pelos Estados Unidos sobre o fim da guerra que dura há quase quatro anos.
As delegações de Moscovo e Kyiv deverão ser acompanhadas nos Emirados Árabes Unidos pelo enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e pelo genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, Jared Kushner, que também participaram na reunião do mês passado.
As negociações ocorridas em janeiro na capital dos Emirados Árabes Unidos, parte de um esforço dos EUA para colocar fim aos combates, renderam algum progresso, mas não houve um avanço em questões-chave, segundo as partes envolvidas nas conversações.
Estas negociações decorrem quando há uma grande indignação ucraniana com os grandes ataques russos ao seu sistema energético, que ocorrem todos os invernos desde que a Rússia lançou a sua invasão total do país vizinho, em 24 de fevereiro de 2022.
Um enorme bombardeamento russo durante a noite de segunda para terça-feira incluiu centenas de drones e um recorde de 32 mísseis balísticos, ferindo pelo menos 10 pessoas. Isto aconteceu apesar do entendimento da Ucrânia de que o Presidente russo, Vladimir Putin, tinha dito ao Trump que iria suspender temporariamente os ataques à rede elétrica ucraniana.
Os civis ucranianos estão a enfrentar um dos invernos mais rigorosos dos últimos anos, com temperaturas a rondar os -20º graus Celsius.
Não ficou claro durante quanto tempo Putin teria prometido observar a moratória sobre os ataques à rede elétrica ucraniana e Moscovo não interrompeu os seus ataques aéreos contra outros alvos na Ucrânia, apesar de um responsável do Kremlin ter dito na semana passada que a Rússia tinha concordado em suspender os ataques a Kiev durante uma semana, até 01 de fevereiro.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse na noite de terça-feira que mal tinham passado quatro dias e uma nova onda de ataques atingiu a rede elétrica da Ucrânia, acusando Putin de duplicidade.
Trump afirmou na terça-feira que Putin "cumpriu a sua palavra" sobre a pausa temporária. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump "não ficou surpreendido" com o retomar dos ataques de Moscovo.
As negociações em Abu Dhabi coincidem também com a expiração do último pacto de armas nucleares remanescente entre a Rússia e os Estados Unidos na quinta-feira. Trump e Putin podem prolongar os termos do tratado ou renegociar as suas condições, num esforço para evitar uma nova corrida ao armamento nuclear.
A Rússia lançou 105 drones contra a Ucrânia durante a noite e as defesas aéreas abateram 88, indicou hoje a Força Aérea ucraniana.
Na região central de Dnipropetrovsk, um ataque russo a uma zona residencial matou uma mulher de 68 anos e um homem de 38 anos, disse o chefe da administração militar regional, Oleksandr Hancha.
A cidade de Odessa, no sul do país, também sofreu um ataque em grande escala, disse o chefe da administração militar regional, Oleh Kiper. Cerca de 20 edifícios residenciais foram danificados e quatro pessoas foram resgatadas dos escombros, afirmou.
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