Rússia acredita poder ludibriar EUA nas negociações, diz secreta estónia
- 10/02/2026
Kaupo Rosin afirmou que Moscovo está a ganhar tempo nas conversações e que "não existe nenhuma discussão sobre como cooperar realmente com os Estados Unidos de uma forma significativa".
As conclusões baseiam-se em informações recolhidas pela Estónia a partir de "discussões internas russas", segundo Rosin, que falou hoje com jornalistas a propósito da publicação do relatório anual de segurança do país.
O chefe do serviço de informações externas da Estónia não deu detalhes sobre como os dados foram obtidos, segundo a agência norte-americana The Associated Press (AP).
No relatório, os serviços de segurança da Estónia consideraram improvável um ataque russo contra a NATO em 2026 ou em 2027, mas advertiram que a Rússia continuava a ser perigosa enquanto tentava reforçar as forças armadas.
As autoridades russas têm insistido num acordo negociado, mas mostram pouca vontade em ceder e permanecem inflexíveis quanto ao cumprimento das suas exigências.
As conversações mediadas pelos norte-americanos nas últimas semanas foram descritas por funcionários russos e ucranianos como construtivas e positivas, mas sem sinais de progresso em questões fundamentais.
O Presidente russo, Vladimir Putin, "ainda pensa que pode realmente vencer militarmente [na Ucrânia] em algum momento", disse Rosin.
Um funcionário da Casa Branca (presidência norte-americana) respondeu aos comentários de Rosin, afirmando que os negociadores de Donald Trump fizeram um "progresso tremendo" nas conversações para acabar com a guerra.
Embora as trocas de prisioneiros ocorram esporadicamente desde maio, destacou em particular um acordo recente em Abu Dhabi para libertar mais de 300 prisioneiros.
Esse acordo foi uma prova de que os esforços para acabar com a guerra estão a avançar, afirmou o funcionário, que a AP aceitou não identificar por não ter autorização para falar publicamente sobre o assunto.
Numa indicação de que Trump quer acelerar o ímpeto dos esforços de paz, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse na semana passada que Washington deu a Kiev e a Moscovo o prazo de junho para um acordo.
Trump, ao longo do último ano, estabeleceu vários prazos que passaram sem consequências aparentes.
Fiona Hill, especialista em Rússia e conselheira de Trump no primeiro mandato, disse que o Presidente e colaboradores estão a construir uma narrativa que o retrata como um pacificador.
Por isso, não estão interessados em mudar a avaliação de que Putin quer acabar com a guerra, disse à AP.
Ambos "precisam que a sua versão dos factos prevaleça" e apegam-se a isso, Putin como o vencedor na Ucrânia e Trump como o negociador, afirmou.
Embora Trump tenha sugerido repetidamente que Putin quer a paz, por vezes pareceu frustrado com a abordagem pouco entusiasta do líder russo às conversações.
Rosin disse não saber por que razão os responsáveis norte-americanos acreditam que Putin quer acabar com a guerra.
Hill questionou que informações de inteligência Trump recebe sobre a Rússia, ou se as lê, e disse que o Presidente confia nos principais negociadores, o enviado especial Steve Witkoff e o genro Jared Kushner.
Admitiu que ambos podem ter dificuldade em acreditar que os danos na economia russa causados pela guerra são um preço que Putin está disposto a pagar pela Ucrânia.
Putin está obcecado em controlar toda a Ucrânia e a ideia "está tão enraizada na sua cabeça" que tem prioridade sobre tudo o resto, incluindo a economia, explicou Rosin, sugerindo que o conflito continuará de alguma forma durante vários anos.
A posição de Putin só poderá mudar se a situação na Rússia, ou na linha da frente, se tornar catastrófica, ameaçando o seu poder.
Por enquanto, Putin ainda acredita que pode conquistar a Ucrânia e "ser mais esperto que todos", concluiu Rosin.
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