Rosas alerta que reorganização do BE é "tarefa hercúlea" mas necessária
- 29/11/2025
"A batalha da organização é um problema central da linha política e da conceção do partido que queremos ser", disse Rosas, perante os delegados à XIV Convenção Nacional, que decorre no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.
Fernando Rosas, subscritor da moção A, proposta pela atual direção, falava sobretudo para o interior do partido, questionando se o Bloco quer ser um "partido efémero" e de "toca e foge" ou um "partido relevante junto do povo trabalhador e das forças progressistas".
Para Fernando Rosas, sem "um verdadeiro enraizamento social", o Bloco de Esquerda estará vulnerável "aos ataques das direitas reacionárias e fascistas".
Rosas advogou que o BE deve conseguir estar "na luta organizada e duradouramente", não só "agitando as lutas populares mas construindo-as e influenciando-as através de uma organização permanente".
"Se queremos um partido revolucionário, ecologista e socialista temos de estar nas empresas, nas comissões de trabalhadores, nos sindicatos, nos bairros populares, nas associações de moradores, nas escolas, nas associações de estudantes (...) nos movimentos feministas, nas associações de defesa dos imigrantes e minorias e nos movimentos e iniciativas culturais", elencou.
"Não se iludam, nada vai ser fácil ou rápido neste campo de batalha pela organização e reorganização do Bloco. Esta é uma tarefa hercúlea, prolongada. Que exige uma verdadeira revolução cultural nas conceções de organização do partido", disse, recebendo o aplauso de pé do ex-coordenador Francisco Louçã, e de parte dos delegados.
Para Rosas, a reorganização do partido, que perdeu grande parte da sua base eleitoral e ficou reduzido a uma única deputada no parlamento nas legislativas de maio, "exige uma atenção específica e continuada" por parte da futura comissão política.
"Não pode ser deixada ao improviso", alertou, considerando que, se assim for, continuará "tudo na mesma".
Antes, a dirigente Joana Mortágua, tal como depois Jorge Costa, que deixa a Comissão Política nesta convenção, assinalou que se vive "uma crise da esquerda" mas frisou que "não há milagres".
"Erramos e acertamos, isto só lá vai por aproximação", disse, apelando aos bloquistas para levantarem a cabeça e procurarem nas vozes da esquerda mundial "as peças" de um programa comum, com proposta e política.
Joana Mortágua manifestou apoio ao ex-deputado José Manuel Pureza, que substituirá Mariana Mortágua na coordenação do BE, dizendo que não espera menos que um "hat trick".
"Pureza, não vou dizer que és o nosso Mourinho, mas serás o nosso João Neves, não esperamos menos de ti do que um `hat trick´", disse, numa alusão ao desempenho do futebolista no recente apuramento de Portugal para o Mundial de Futebol.
Alexandra Vieira, antiga deputada do BE por Braga e subscritora da moção S, deixou críticas à direção do partido, proponentes da moção A, afirmando que entendem que a convenção "é um passeio no parque ou um comício".
Para Alexandra Vieira, não será um "coordenador messiânico que vai resolver os problemas do partido", referindo-se a José Manuel Pureza.
A duas semanas da greve geral, convocada pelas centrais sindicais para o dia 11 de dezembro, o tema esteve presente nas várias intervenções dos delegados ao longo da tarde na XIV Convenção.
Fernando Gandra da Silva, pela moção S, crítica da direção, apelidou o "pacote laboral" de "pacote patronal" e avisou que o Bloco de Esquerda "não pode afastar-se dos movimentos dos trabalhadores", propondo a criação de um "fórum sindical alternativo orientado pela classe trabalhadora".
Sandra Cunha, ex-deputada, apelou ao reforço do Bloco de Esquerda como partido feminista, considerando que as propostas do Governo para alterar as leis do trabalho penalizam especialmente as mulheres.
[Notícia atualizada às 17h59]
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